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A verdade sobre a melatonina: aliada do sono ou moda arriscada?

Em forma de gotas, gomas e comprimidos, substância virou panaceia, mas muita gente usa de forma equivocada

Por Dalva Poyares*
23 dez 2025, 15h00 • Atualizado em 23 dez 2025, 16h11
  • Nos últimos anos, a melatonina se tornou uma das substâncias mais comentadas entre os brasileiros que buscam melhorar o sono. Nas redes sociais, multiplicam-se promessas de noites tranquilas por meio de gotas, gomas ou comprimidos vendidos como suplementos. Mas, apesar da ampla popularização, o uso correto da melatonina ainda é pouco compreendido. E, não raro, feito de forma inadequada.

    A melatonina é um neuro-hormônio produzido pela glândula pineal, no cérebro. Sua produção pelo organismo segue o ciclo claro-escuro do ambiente: aumenta à noite, em resposta à ausência de luz, e despenca durante o dia.

    Quando a claridade atinge os olhos, receptores específicos enviam um sinal ao núcleo supraquiasmático, o “marcapasso” do nosso relógio biológico, inibindo a liberação do hormônio. Esse mecanismo natural prepara o organismo para dormir. À medida que a melatonina sobe, a temperatura corporal diminui, iniciando o processo fisiológico do sono.

    Além de atuar no ciclo vigília-sono, a melatonina participa de outro elemento característico da noite: o jejum. Por isso, especialistas alertam que não faz sentido ingerir melatonina e comer logo em seguida, já que o hormônio interfere na secreção de insulina e sinaliza ao corpo que é hora de repouso metabólico.

    Apesar do entusiasmo popular, as indicações médicas formais para a melatonina sintética são limitadas. No Brasil, a Anvisa aprovou apenas a dose de 0,21 mg, considerada fisiológica. As famosas versões com 3 mg, 5 mg ou até 10 mg, comuns em outros países, são suprafisiológicas e não seguem a lógica natural de funcionamento do hormônio. Mesmo as doses baixas devem ser usadas exclusivamente com orientação médica.

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    Entre os usos reconhecidos da melatonina, alguns oficialmente aprovados, outros consagrados na prática clínica como off-label, estão o jet lag, em que ela auxilia na adaptação ao novo fuso horário após viagens longas. O hormônio também é empregado nos distúrbios do ritmo circadiano, situações em que o relógio biológico do indivíduo está adiantado ou atrasado, provocando insônia ou sonolência em momentos inadequados.

    A melatonina ainda aparece como alternativa terapêutica no autismo, condição na qual estudos indicam melhora na consolidação do sono e no comportamento noturno. Outro uso ocorre nos casos de cegueira sem percepção de luz, em que ela contribui para sincronizar o ciclo vigília-sono, já que esses pacientes não recebem o estímulo luminoso que naturalmente regula a produção do hormônio.

    Há ainda situações particulares, como o distúrbio comportamental do sono REM, nas quais a melatonina pode ajudar, mas sempre sem indicação oficial e sob supervisão especializada.

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    Outro ponto importante é diferenciar a melatonina dos agonistas melatoninérgicos, como a ramelteona, medicamento disponível no Brasil que imita a ação do hormônio diretamente nos receptores do cérebro. Por ser um fármaco, tem eficácia e segurança mais bem estabelecidas, além de não provocar efeitos periféricos da melatonina, presente em vários órgãos do corpo.

    Como qualquer substância ativa, a melatonina não é isenta de riscos. Em doses elevadas, pode provocar sonolência residual pela manhã, já que o hormônio permanece alto quando deveria estar em queda. Também pode causar dor de cabeça, tontura, náusea e sonhos vívidos ou pesadelos. Em algumas pessoas, curiosamente, melhora quadros de cefaleia ou parassonias.

    Por fim, especialistas reforçam a importância de verificar a procedência do produto. Toda melatonina vendida no mundo é sintética, mas isso não garante que todas as marcas tenham controle de qualidade rigoroso e a ausência de fiscalização sobre suplementos aumenta esse risco.

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    A popularidade da melatonina contrasta com um fato simples: ela não é um tratamento universal para insônia, nem deve ser consumida como vitamina.

    Trata-se de um hormônio que atua de forma precisa no relógio biológico e que só faz sentido quando usado na dose certa, no momento certo e pelas razões corretas. Quem busca melhorar o sono deve priorizar hábitos saudáveis, higiene do sono e, se necessário, acompanhamento médico.

    A melatonina pode ser uma aliada, mas nunca uma solução mágica.

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    * Dalva Poyares é neurologista e pesquisadora do Instituto do Sono

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