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Acne antes da adolescência: sim, ela existe!

Desde o nascimento até a pré-adolescência, a acne pode aparecer. Saiba um pouco mais sobre essa condição e como proceder nesses casos

Por Adilson Costa
12 mar 2021, 10h55 • Atualizado em 12 mar 2021, 11h02
  • A acne, condição comum entre adolescentes e adultos jovens, pode aparecer em crianças menores de 10 anos de idade. Nessa situação, ela recebe o nome de acne pediátrica. Existem relatos na literatura médica de que ela possa acometer de 25% a 50% das crianças menores nessa faixa etária.

    De acordo com a idade da criança, a acne pediátrica pode ser subdividida em: acne neonatal (quando aparece em crianças nas primeiras 6 semanas de vida), acne infantil (em crianças de 1 mês de vida a 1 ano de idade), acne da meia-infância (em crianças de 1 a 7 anos de idade) e acne pré-adolescente (em crianças de 7 a 12 anos de idade).

    A acne neonatal aparece em 20% dos recém-nascidos, principalmente naqueles cujos pais apresentam histórico de acne, sendo mais frequente em neonatos do sexo masculino. Geralmente, ela é decorrente do estímulo das glândulas sebáceas pelos hormônios androgênicos maternos, passados ao bebê através da placenta; há, também, relatos de casos decorrentes da atuação dos hormônios androgênicos produzidos por atividade prematura das glândulas suprarrenais e testículos do próprio recém-nascido. Nesses casos, há predomínio de comedões (cravos) na região alta das bochechas, dorso nasal e queixo, havendo involução espontânea ao redor dos 6 meses de vida. Existe uma condição muito comum nessa idade, a pustulose cefálica neonatal, na qual não existem os cravos, mas somente lesões inflamatórias, decorrentes da contaminação da pele por um fungo, a Malassezia furfur.

    Por sua vez, acne infantil aparece em ambos os sexos e, geralmente, não está associada ao histórico familiar de acne. Esse quadro, na maioria dos casos, é preditivo de maior chance de surgimento de acne na adolescência. Geralmente, é decorrente da produção aumentada de hormônios androgênicos pelas suprarrenais, havendo cura espontânea até os 2 anos de vida, mas há relatos de casos que as lesões perduram em surtos recorrentes até a adolescência. Esse quadro é mais inflamatório, havendo até mesmo presença de cistos, na região alta das bochechas. A acne da meia-infância, contudo, é semelhante à infantil em todos os aspectos, diferenciando pelo fato de aparecer do primeiro aos 7 anos de vida, ser mais inflamatória e, infelizmente, ter a tendência de involuir à custa de cicatrizes atróficas, o que é considerado grave, uma vez que poderá desencadear estigmas emocionais da criança e nos familiares.

    Finalmente, a acne pré-adolescente é um quadro muito semelhante à acne da adolescência e idade adulta jovem, geralmente decorrente da maturação gonadal, ou seja, uma puberdade precoce. Existem, também, relatos de uma tendência familiar à acne, sendo que as glândulas sebáceas dessas crianças são mais sensíveis a responder à quantidade normal dos hormônios sexuais circulantes, desencadeando uma produção aumentada de sebo e, consequentemente, surgimento das lesões acneicas.

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    Mas, deve ser mantido muito claro que, na imensa maioria das vezes, a acne pediátrica é um quadro benigno, de origem cutânea exclusiva, que, quando necessários, tratamentos tópicos e, eventualmente, sistêmicos, prescritos por dermatologistas, são suficientes. No entanto, a necessidade de se acompanhar o quadro com um dermatologista se faz obrigatória, pois a pele da criança, nessa faixa etária, é muito sensível, além de que alguns medicamentos indicados para a acne comum não são autorizados para essa população e o olhar médico cuidadoso se faz mandatório.

    Além do mais, em todos os casos, se o quadro de acne pediátrica for muito exuberante e não cessar com os tratamentos instituídos, pode-se aventar a presença de hiperandrogenismo. O hiperandrogenismo é atividade exagerada e precoce das suprarrenais e testículos, o qual deve deve ser pesquisado pois, em alguns casos, pode existir tumor nesses órgãos que devem ser detectados e tratados com intervenções médico-cirúrgicas imediatas.

    Por isso, fique atento: ao menor sinal de lesões faciais sugestivas de acne em pré-adolescentes, procure um dermatologista, discuta as opções terapêuticas indicadas e cuide para manter a pele de seu filho bem cuidada.

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    Fica a dica!

    Adilson Costa
    Adilson Costa (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)
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