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Enxaqueca e verão: por que o calor aumenta as crises e como se proteger

Condição deixa o cérebro mais sensível a estímulos ambientais e pode favorecer a dificuldade do sistema nervoso em regular funções automáticas do corpo

Por Tiago de Paula*
6 jan 2026, 08h00 • Atualizado em 6 jan 2026, 08h32
  • A relação entre calor e enxaqueca não é apenas uma impressão: há uma associação direta entre altas temperaturas, variações térmicas e o desencadeamento das crises, especialmente em pacientes que não estão com a doença bem controlada.

    Como a enxaqueca é uma doença neurológica crônica que torna o cérebro mais sensível a estímulos ambientais, essa sensibilidade é colocada à prova no verão: com o calor intenso, exposição solar, alterações bruscas de temperatura e maior risco de desidratação.

    Pacientes com enxaqueca apresentam uma sensibilidade térmica aumentada, o que significa que tanto o calor intenso quanto as mudanças rápidas de temperatura podem facilitar o surgimento das crises.

    Outro risco para pacientes com enxaqueca é a disautonomia, uma dificuldade do sistema nervoso em regular funções automáticas do corpo. Isso faz com que, em dias muito quentes, a pressão arterial possa cair mais do que o esperado, favorecendo tontura, mal-estar, desmaios e o aparecimento das crises.

    Além disso, em ambientes quentes, o organismo intensifica a transpiração para tentar regular a temperatura corporal. Essa perda de líquidos pode levar à desidratação, o que deixa o cérebro mais sensível às crises. Isso é relevante no nosso contexto porque o Brasil é um país com clima quente e temperatura alta, ou seja, o corpo desidrata mais rápido.

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    A desidratação gera estresse nas células, o que leva ao aumento da liberação de determinados neurotransmissores. Esse processo favorece a hiperexcitabilidade cerebral, característica da enxaqueca, e pode culminar no início da crise.

    Então, o calor não age diretamente no cérebro e nem de forma isolada. O que ocorre é um conjunto de alterações fisiológicas, como desidratação, dilatação dos vasos sanguíneos e estresse metabólico, que torna o cérebro mais sensível e suscetível à dor.

    Algumas medidas práticas ajudam a diminuir o impacto do verão sobre a enxaqueca: o ideal é manter uma hidratação adequada ao longo do dia; evitar exposição solar nos horários de pico, geralmente entre 10h e 16h; utilizar chapéu, boné e óculos escuros; buscar ambientes mais frescos e evitar variações bruscas de temperatura.

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    Essas estratégias ajudam a reduzir o estresse do organismo, mas é fundamental entender que tratar a enxaqueca é o mais importante.

    A principal forma de proteção não é viver evitando o calor. Quando a doença está bem controlada, o paciente se torna menos sensível aos gatilhos, inclusive aos relacionados à temperatura.

    O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, combinando medicamentos orais, aplicações de toxina botulínica, ajustes no estilo de vida e acompanhamento contínuo.

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    Antes do tratamento, há acúmulo de restrições. Depois que a enxaqueca é tratada corretamente, essas limitações diminuem e o paciente consegue viver melhor, aproveitando inclusive praia, piscina, clube e festas no verão.

    Dessa forma, é possível não apenas reduzir as crises, mas também evitar impactos mais amplos da doença, como alterações no sono, dificuldades cognitivas e perda significativa de qualidade de vida.

    *Tiago de Paula é médico neurologista especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC). Atuou como preceptor dos ambulatórios de enxaqueca infantil, enxaqueca do adulto e migrânea vestibular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e atualmente integra o corpo clínico do Headache Center Brasil, em São Paulo

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