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Essa é a maior bomba para o coração

Risco de infarto é três vezes maior para quem usa anabolizantes, revela pesquisa. Entenda por que o atalho para o corpo perfeito pode ser uma cilada

Por Diandro Mota e Ricardo Pavanello*
30 jun 2025, 07h30 • Atualizado em 1 jul 2025, 22h33
  • A conta pelo uso de esteroides anabolizantes, que, na maioria das vezes, visa apenas a conquista rápida do “corpo perfeito” é alta: três vezes mais risco de infarto; o triplo de chance de necessitar de angioplastia ou ponte de safena; 2,4 vezes mais probabilidade de trombose venosa profunda e embolia pulmonar; 2,2 vezes mais possibilidade de desenvolver arritmias; nove vezes mais risco de cardiomiopatia e 3,6 vezes mais casos de insuficiência cardíaca.

    Sim, é uma bomba para o coração. As conclusões são de um estudo da revista Circulation, publicação científica da American Heart Association (AHA), que aborda temas relacionados à saúde cardiovascular. A pesquisa acompanhou 1.189 usuários de esteroides por 11 anos e comparou os resultados com quase 60 mil indivíduos da população geral. A idade média dos que utilizavam a substância era de 27 anos.

    Os esteroides anabolizantes são hormônios androgênicos derivados, principalmente, da testosterona. Ministrados preferencialmente por via injetável, promovem a divisão e o crescimento celular, resultando no desenvolvimento de diversos tipos de tecidos, especialmente músculos. Por isso são tão populares entre aqueles que buscam um corpo atlético.

    Ao serem usados de maneira excessiva ou sem acompanhamento médico, podem causar danos ao sistema cardiovascular, como hipertrofia cardíaca. Também aumentam a produção de glóbulos vermelhos, estimulando a formação de coágulos e, por consequência, desencadeiam trombose e infarto.

    Alteração dos batimentos cardíacos e sobrecarga do sistema circulatório são outros agravos provocados pelo uso prolongado de anabolizantes. Além disso, são responsáveis por alterações lipídicas – como o aumento nos níveis de triglicerídeos e colesterol total – e de disfunções vasculares e de coagulação, fatores que favorecem a trombose.

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    Os prejuízos ao sistema cardiovascular e, portanto, a propensão de doenças fatais continua vigente mesmo após a descontinuidade dessas drogas.

    Custo & benefício

    Vivemos em uma sociedade em que o culto a um padrão de beleza é uma realidade reforçada, inclusive, em redes sociais. Esta espécie de pressão psicológica tende a criar insatisfação com a própria imagem e incita a procura desenfreada pela beleza estereotipada. Vale lembrar que este mercado também é composto por atletas de alta performance, que apelam aos hormônios para se destacar em competições.

    A obsessão por resultados estéticos rápidos, o crescimento do setor fitness no Brasil e a venda irregular são algumas razões que justificam a popularização dos esteroides anabolizantes ainda que com todas as evidências dos malefícios que acarreta. Para se ter uma ideia, o volume de vendas cresceu 45% entre 2019 e 2021, de acordo com dados da Anvisa.

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    Em 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prescrição da substância para fins estéticos. Porém, apesar de importante, a regra não é suficiente para inibir a utilização indiscriminada. É necessário que órgãos de saúde intensifiquem campanhas de esclarecimento, alertando sobre os perigos que este “atalho” para a conquistar a boa forma ou o melhor desempenho esportivo acarretam.

    O que é vendido como um “empurrãozinho” para conquistar objetivos físicos pode, literalmente, jogar o usuário ladeira abaixo, trazendo complicações irreversíveis ao coração.

    * Diandro Mota é cardiologista e assessor científico para Tecnologia e Inovação da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo; Ricardo Pavanello é cardiologista e presidente do Congresso da SOCESP 2025

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