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Filhos concebidos por dois pais? Estudo abre perspectivas e preocupações

Por meio de técnica de edição genética, cientistas conseguiram obter uma prole de ratos de dois machos. Mas será que isso um dia chegará a seres humanos?

Por Rodrigo Rosa*
Atualizado em 21 fev 2025, 17h07 - Publicado em 21 fev 2025, 17h01

Ratinhos nascidos de dois pais machos – e que chegaram à vida adulta. Eis a notícia que circulou em vários sites de divulgação científica recentemente como um grande avanço na medicina. Mas será que realmente veremos a reprodução unissexual chegar aos seres humanos?

As técnicas de edição genética estão evoluindo e isso é realmente um progresso para a ciência, o que deve ser comemorado. A tecnologia CRISPR, por exemplo, foi usada para alterar células-tronco embrionárias, tornando possível a concepção sem mãe.

No experimento chinês que causou barulho, pesquisadores utilizaram materiais genéticos nos núcleos de espermatozoides de dois machos para fazer uma edição gênica, como se fosse um recorte de alguns genes específicos para possibilitar uma evolução de embriões. E eles foram transpostos para uma rata, que serviu de barriga de aluguel.

No entanto, essa técnica gerou ratos que, embora tenham amadurecido, apresentaram uma expectativa de vida menor. Além disso, eles eram maiores do que a média da espécie e todos inférteis.

O evento levantou a perspectiva de, no futuro, buscarmos a geração de bebês para casais homoafetivos masculinos que têm o desejo de ter o material genético de ambos. Ocorre que, fora as questões técnicas e éticas de métodos de edição como o CRISPR, ainda não se sabe quais serão todas as implicações biológicas em jogo.

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Mesmo que seja possível adaptar o procedimento ao contexto dos seres humanos, é preciso levar em conta que não conhecemos as consequências de uma mudança de expressão gênica tão impactante, e seus efeitos de longo prazo na prole.

A edição genética em si pode ser útil a áreas como a medicina regenerativa, podendo formar células com potencial de se transformar em quaisquer unidades do organismo. Isso permitirá aplicar o método para restaurar órgãos lesados, como um coração após o infarto.

Na medicina reprodutiva, entretanto, ainda estamos muito longe disso. Mesmo na experiência com animais, há de se destacar que os resultados não foram inteiramente exitosos.

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Por ora, o campo da reprodução humana conta com outras estratégias para permitir que casais homoafetivos tenham filhos. Nesse caso, o procedimento de reprodução assistida depende da doação de óvulos e barriga solidária. Caberá ao casal escolher qual pai doará o esperma a ser utilizado na fertilização in vitro (FIV) para fecundar o óvulo em laboratório e depois inseri-lo no corpo da mulher disposta a engravidar.

Em casais homoafetivos femininos, o processo de reprodução assistida é mais simples, visto que é apenas necessária a doação do sêmen, feita de forma anônima por meio de bancos do material. Com o sêmen, o casal pode optar por dois métodos: a FIV ou a inseminação intrauterina (IU).

Para a FIV, o casal homoafetivo feminino ainda pode realizar uma gestação compartilhada, processo no qual uma das mulheres cede o óvulo, enquanto a outra é a responsável por gestar o bebê. Já a inseminação intrauterina, popularmente conhecida como inseminação artificial, consiste na inserção do espermatozoide doado na cavidade do útero durante o período de ovulação da mulher para que a fecundação ocorra naturalmente.

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* Rodrigo Rosa é ginecologista, especialista em reprodução humana, diretor clínico da Mater Prime e do Mater Lab, em São Paulo, e membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH)

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