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HIV após os 50: quando o tabu é fator de risco

Em dez anos, casos nessa faixa etária aumentaram 57%; cenário expõe silêncio sobre sexualidade, prevenção e diagnóstico precoce entre pessoas mais velhas

Por Marlí Sasaki
26 dez 2025, 14h00 • Atualizado em 26 dez 2025, 15h14
  • O combate a novas infecções pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) entre pessoas com 50 anos ou mais passa pela discussão de temas ainda considerados tabus para essa população, como sexo e o uso de métodos preventivos contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    De acordo com dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, as notificações de casos inéditos nesse grupo aumentaram 57%, passando de 2.768 para 4.355, na comparação entre os anos de 2014 e 2024. Esse cenário indica a manutenção do interesse por sexo entre os idosos e reforça a urgência de ampliar campanhas de conscientização voltadas a esse público.

    As notificações de novos casos de HIV na população com mais de 50 anos sugerem o envelhecimento da epidemia da infecção no Brasil. Essa realidade está relacionada ao aumento da expectativa de vida no país e no mundo, ao uso de medicamentos para disfunção erétil e à ampliação do período de vida sexual ativa. A situação exige atenção, pois a infecção pode passar despercebida em um primeiro momento, já que os sintomas podem ser confundidos com sinais do envelhecimento.
    Com frequência, as relações sexuais ocorrem sem as devidas precauções contra ISTs. No consultório, é comum que pacientes dessa faixa etária relatem nunca terem usado preservativo ao longo da vida. A realização de exames também costuma ser negligenciada, muitas vezes sob a justificativa de estar em um relacionamento monogâmico com parceiro fixo. Há ainda aqueles que fazem acompanhamento médico regular, mas nunca foram testados. O desinteresse pela prevenção contra as infecções sexuais passa pela ignorância e pela crença equivocada de que a infecção é um risco para “os outros”, e não para si próprios.
    Colabora também para o aumento dos casos de infecção na população acima dos 50 anos e para o diagnóstico tardio o fato de a pessoa ser idosa e viver com HIV, configurando o chamado duplo estigma. A certeza de viver com o vírus, ou mesmo a suspeita, pode gerar discriminação e exclusão, afastando essas pessoas dos consultórios médicos, do início e da manutenção do tratamento e de uma vida saudável.
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    A infecção pelo HIV pode levar anos para se manifestar. No entanto, provoca inflamação crônica e envelhecimento precoce do organismo, com aumento do risco de diabetes e de doenças cardiovasculares, ósseas, renais e do sistema nervoso central, entre outras. Essa condição clínica, muitas vezes, também contribui para o diagnóstico tardio. Por isso, pessoas que vivem com o vírus são consideradas idosas já na quinta década de vida.
    O acompanhamento de pessoas HIV + com mais de 50 anos é extremamente complexo e ultrapassa o âmbito do tratamento do próprio vírus. A assistência demanda conhecimentos de infectologia, cardiologia, nefrologia, endocrinologia e de outras especialidades médicas, mas também de interações medicamentosas e de vacinas para o melhor cuidado do paciente.
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    Por isso, é essencial desmistificar a ideia de que a pessoa idosa não se preocupa com a vida sexual e promover campanhas de conscientização voltadas a essa população. Essas ações devem abordar a sexualidade, a importância dos métodos preventivos — como o uso de preservativos e a testagem frequente para HIV e outras ISTs, visando ao diagnóstico precoce —, o início e a adesão ao tratamento adequado para o controle da infecção, considerando que a carga viral indetectável significa que o paciente não transmite o vírus, além de incentivar uma conversa franca com parceiros sexuais e profissionais de saúde para evitar novas infecções sexualmente transmissíveis. Essa combinação de estratégias pode melhorar a qualidade de vida e a saúde de todos.

    Marlí Sasaki, infectologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo

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