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Lipedema: emagrecer é suficiente para controlar a doença?

Novo estudo analisa o impacto da perda de peso no controle do quadro, marcado pelo acúmulo de gordura na região das pernas. Especialista comenta

Por Heloise Manfrim*
10 abr 2025, 10h00 • Atualizado em 10 abr 2025, 20h24
  • Cada vez mais comentado na internet, mas ainda pouco conhecido de fato pelas pessoas, o lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas que afeta cerca de 12% das mulheres.

    Sabemos que a falta de conhecimento sobre o lipedema leva a diagnósticos incorretos, o que atrasa o início do tratamento, aumenta a progressão da doença e, consequentemente, faz com que a paciente sofra física e emocionalmente.

    Esse acúmulo de gordura não é apenas um problema estético, mas causa dor. No lipedema, o aumento acentuado do tecido adiposo subcutâneo acarreta maior inflamação e fibrose, além de prejudicar a circulação microvascular e linfática.

    lipedema
    (Ilustração: Angela Cini/Getty Images)

    Mas é só emagrecer para resolver? Calma lá. Um novo estudo, publicado no periódico da American Diabetes Association, mostra que a perda de peso é a terapia de primeira linha para o tratamento, mas ainda assim apresenta efeito limitado nas dores e inflamações.

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    Em alguns casos, o tratamento cirúrgico é indicado, mas deve sempre ser acompanhado do tratamento clínico, com dieta com perfil anti-inflamatório, atividade física específica, terapia física complexa e protocolos com medicamentos.

    No estudo, os pesquisadores avaliaram a composição corporal, a sensibilidade à insulina, a saúde metabólica e a biologia do tecido adiposo em mulheres com obesidade e lipedema antes e depois da perda de peso moderada (aproximadamente 9% de redução de peso) induzida por dieta.

    Resultados: o emagrecimento melhorou a sensibilidade à insulina e diminuiu a massa gorda total (abdominal e das pernas). Apesar disso, não houve alterações nos marcadores de inflamação e fibrose.

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    Esses resultados demonstram que o tecido adiposo afetado em mulheres com lipedema, além da inflamação e fibrose, promove alterações na biologia linfática e vascular. E, para conter a dor e a inflamação, é preciso lançar mão de outras estratégias. No caso da cirurgia plástica, a lipoaspiração ganha espaço e impede a progressão da doença.

    A cirurgia é indicada quando a paciente não apresentou melhora após tratamento clínico por mais de seis meses, ou quando a doença se encontra em estágios iniciais com muita queixa de dor ou ainda quando há uma queixa estética muito mais importante do que a queixa funcional.

    A técnica utilizada vai variar de acordo com cada caso. Por exemplo: se a retirada da gordura tem altas chances de resultar em flacidez, podemos realizar a lipoaspiração com plasma, que aquece e provoca uma retração na pele.

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    Antes e após a lipoaspiração, é necessário incluir bons hábitos na rotina, como praticar exercícios físicos regularmente, ingerir pelo menos 2 litros de água por dia e manter uma alimentação balanceada, consumindo uma grande quantidade de frutas, legumes e verduras e evitando alimentos processados e ricos em gordura, sódio e açúcar.

    O lipedema é uma condição constitucional que necessita de bons hábitos para ajudar no tratamento e evitar a progressão da doença. Temos diversas estratégias para controlar o problema, e elas podem atuar em conjunto. Desconfie das soluções simples e milagrosas.

    * Heloise Manfrim é cirurgiã plástica e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, além de autora do livro Lipedema: uma abordagem além da superfície

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