Tendências da medicina para 2025: o que vai mudar nos exames
Inteligência artificial, genômica, exames portáteis… Especialista compartilha as apostas da medicina diagnóstica

Exames diagnósticos são imprescindíveis na medicina moderna. São eles que auxiliam os médicos na deteção precoce de doenças, orientação de condutas terapêuticas pertinentes, monitoramento da progressão e efetividade dos tratamentos.
Como ferramenta, são a base da medicina de precisão, permitindo que o tratamento adequado seja fornecido ao paciente, no momento certo.
Localizados na interface entre ciência, tecnologia e medicina, avanços nas aplicações clínicas são surpreendentes. A ampliação do uso Inteligência Artificial, da medicina de precisão e da genômica foram alguns dos campos que ajudaram na tração de um nicho que movimentou cerca de US$ 84 bilhões no mundo em 2024, de acordo com estimativa da companhia Mordor Intelligence.
Como médico e executivo, acompanho esta agenda há mais de 20 anos. Em 2024, tive a oportunidade de participar de congressos, conversar com líderes mundiais e visitar empresasdentro e fora do país para entender e projetar o futuro do setor.
Neste contexto, tenho poucas dúvidas de que cada vez mais médicos, empresas e centros de pesquisa usarão essas tecnologias para ampliar de forma efetiva e segura o tratamento de pacientes, a gestão de doenças crônicas e a prevenção de complicações futuras.
Como hábito, começo o ano revisando tendências e projetando aquilo que acredito ser as apostas para 2025. Compartilho algumas das minhas impressões para o ano, considerando também os principais pontos do relatório divulgado pela CB Insights, empresa americana de análise de mercado para IA.
Sistema enxuto e eficiente
Seguindo a tendência mundial, o setor de diagnóstico – e de saúde como um todo- se volta novamente para modelos operacionais que focam na eficiência dos processos, para reduzir desperdício e continuar gerando valor num momento de maior incerteza setorial.
Essa é uma resposta ao momento econômico mundial e vem em oposição aos grandes investimentos em tecnologias não escaláveis ou difíceis de serem aplicadas na prática. O foco da cadeia de diagnóstico, seja em grandes indústria ou prestadores de serviço, está em eficiência nos processos, com automação e melhoria contínua, ampliando o valor na entrega com custos menores.
IA na decisão clínica
A aplicação dos modelos de IA na realização e análise de exames – dos simples ao mais complexos – melhora substancialmente a qualidade das imagens e dos laudos, ampliando a assertividade e acelerando resultados. Para se ter uma ideia, um estudo com o sistema de IA da Google Health para detecção de câncer de mama reduziu falsos positivos de 9,5% para 5,7% nos Estados Unidos, em comparação a profissionais humanos.
Em 2025, podemos esperar o aumento da democratização das ferramentas de IA como suporte da decisão clínica e na detecção de doenças antes mesmo dos sintomas. Como algoritmos de IA se mostram cada vez menos propensos a erros e aptos a fornecer recomendações assertivas, a maior utilização destas ferramentas irá exigir disciplina na integração de sistemas, priorização de iniciativas, maioreducação médica e governança jurídica.
Medicina de precisão e genômica
Para além dos algoritmos, os progressos na biologia molecular são assombrosos. Este avanço permite testes genéticos mais acessíveis aos pacientes e com uma redução do custo e aceleração no tratamento de diversas doenças, em particular, o câncer. A área ganha impulso acelerado com iniciativas governamentais, uma vez que o Ministério da Saúde anunciou a expansão do Programa Nacional de Genômica e Saúde de Precisão (Genomas Brasil) e a criação do Genoma SUS.
Já as redes privadas alavancam o conceito, com o oferecimento e estímulo para a adoção de terapias avançadas. Aqui, destaco a imunoterapia CAR-T, que usa as células imunológicas geneticamente modificadas do paciente para atacar doenças como o câncer; e a biópsia líquida, que permite a detecção de DNA e RNA tumoral no sangue considerando diversos tipos de tumores.
Exames portáteis
Outra tendência que deve se popularizar são os exames de imagem portáteis, incluindo sensores. Esse salto tem a ver com a evolução da internet e da distribuição de dados em todo país, tornando a utilização desse tipo de equipamento cada vez mais viável.
A abordagem home care abre caminho para a democratização do acesso a diagnósticos, especialmente para pacientes com dificuldades de locomoção ou em áreas remotas.
Desafios
Para profissionais de saúde, pode ser desafiador acompanhar todas as mudanças. Na minha experiência, o foco deve ser na aprendizagem contínua de competências para utilizar e interpretar as novas tecnologias com responsabilidade, sempre respeitando a LGPD.
A apropriação da lógica dos algoritmos, combinada ao conhecimento sistêmico de cada área, é fundamental para encontrar soluções mais refinadas na prática diária da medicina.
Há, ainda, a expectativa da regulação nacional da IA na saúde, em tramitação e muito necessária para dar aos médicos normas e regras que respaldem o exercício da profissão e dos pacientes.
Hoje temos uma valorização de especialistas e instituições que reúnem qualidade técnica e, principalmente, cuidado humanizado. Em meio a tantas novidades, é necessário o foco na liderança assertiva e empática e na humanização das técnicas, integrando-as ao sistema de saúde de forma ética e responsável.
Ferramentas como a IA devem ser utilizadas para amplificar capacidades profissionais e, acima de tudo, melhorar a experiência do paciente – sempre com um diálogo franco sobre suas possibilidades e limitações. Ser promotor da incorporação das tecnologias (e não detrator), com pesquisa e ética, é a conduta esperada do profissional contemporâneo.
* Leonardo Vedolin é radiologista e vice-presidente médico da Dasa