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Maílson da Nóbrega

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Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

O PIB praticamente estabilizou no terceiro trimestre

Resultado mostra uma clara desaceleração da economia brasileira ao longo dos últimos doze meses

Por Maílson da Nóbrega 4 dez 2025, 09h14 •
  • No terceiro trimestre deste ano, o PIB cresceu 0,1% em relação ao segundo trimestre em termos dessazonalizados, segundo os resultados hoje divulgados pelo IBGE. Na comparação interanual, a expansão foi de 1,8%. Esses dados mostram não apenas uma estagnação no terceiro trimestre, mas uma clara desaceleração ao longo dos últimos doze meses. A formação bruta de capital merece ser destacada: cresceu 0,9% no terceiro trimestre, sob influência de uma plataforma de exploração de petróleo, item de elevado valor. 

    A agropecuária cresceu 0,4%, em dados dessazonalizados. O resultado reflete os efeitos do término da colheita de grãos no período, especialmente de soja e milho, bem como uma desaceleração do abate de bovinos. 

    Na mesma métrica, a indústria cresceu 0,8% no terceiro trimestre, enquanto o segmento de transformação se expandiu 0,3%, depois de uma sequência de quedas no primeiro e no segundo trimestres (-1% e -1,5%, respectivamente). O setor de construção civil exibiu trajetória semelhante: crescimento de 1,3% no terceiro trimestre, em comparação com quedas de 0,3% e 0,8% nos dois trimestres anteriores, respectivamente. 

    Os serviços ficaram próximos da estabilidade, com avanço de 0,1% no terceiro trimestres, exibindo alta disseminada em seus diversos componentes. De fato, o desempenho foi positivo em quase todas as aberturas, ainda que os grupos mais sensíveis à demanda, como Outros Serviços, que abrange os serviços às famílias representam um dos principais destaques. 

    O consumo das famílias ficou próximo da estabilidade, 0,1%, tendo como consequência alguns fatores básicos: (1) o crescimento da renda, provocado por um mercado de trabalho aquecido: (2) a redução das pressões inflacionárias em alguns grupos, como nos itens consumidos no domicílio, embora a inflação de serviços siga persistente e elevada; (3) os efeitos, no consumo, de programas populistas lançados pelo governo (Luz para Todos, Gás do Povo e o financiamento de reformas residenciais). Em 2026, esses programas podem acrescentar 0,3 ponto percentual ao crescimento do PIB. 

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    A formação bruta de capital, como já mencionado, se expandiu 0,9% no terceiro trimestre. Na sua composição, a aquisição de bens de capital exibiu queda, enquanto os serviços de tecnologia de informação tiveram crescimento expressivo. 

    As exportações cresceram 3,3% no período, mesmo diante da queda de 18% nas exportações para o Estados Unidos, em decorrência do tarifaço de Donald Trump. O Brasil foi capaz de diversificar as vendas externas, em valor que superou as perdas nas remessas para o mercado americano. Essas perdas tendem a diminuir com a decisão do presidente americano de reduzir as tarifas para as exportações brasileiras de carne, café e frutas. Até agora, não houve redução das tarifas incidentes nas vendas externas da indústria moveleira, o que resultará em alta do desemprego.

    As importações cresceram 0,3%. Esse resultado é a soma algébrica das compras externas em três áreas (1) o crescimento da economia acima de seu potencial, que é o efeito do mercado trabalho aquecido e da respectiva elevação da renda; (2) a importação da plataforma de petróleo acima citada; e (3) uma queda nas compras externas de bens de capital, o que já se vinha observando desde o segundo trimestre, quando experimentaram queda de 24%. 

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