Adélio, ‘cachaça’ e fetiche: a resposta enfurecida de Bolsonaro para Lula
Ex-presidente rebateu declaração do petista sobre a sua ida para o banco dos réus por tentativa de golpe de estado

O ex-presidente Jair Bolsonaro não gostou nem um pouco dos comentários feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito de sua ida para o banco dos réus por tentativa de golpe de estado, em julgamento encerrado na quarta-feira, 26, no Supremo Tribunal Federal.
O petista, em viagem ao Japão, disse, em declarações a jornalistas, que o ex-presidente deveria ser responsabilizado porque tentou dar um golpe e participou de um plano de assassinato contra ele. “É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país, é visível por todas as provas que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente (Geraldo Alckmin), para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira (Alexandre de Moraes)“, disse Lula nesta quinta-feira, 27.
Bolsonaro respondeu atirando. “Lula, cachaça, o brasileiro sabe de sua índole e de como você chegou até aqui. Só um imbecil ou um canalha compra esse papo de plano de assassinato. A única pessoa que tentaram matar fui eu, em uma ação de antigo militante do PSOL, seu braço político de primeira hora”, postou em suas redes sociais.
O ex-presidente fez referência à facada que sofreu em setembro de 2018, em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral, por Adélio Bispo, que já foi filiado ao PSOL – ele está preso até hoje. Investigação da Polícia Federal apontou que Adélio agiu sozinho e sem motivação política.
O ex-presidente rebateu a acusação de golpe. “Quanto à narrativa de vocês sobre o ‘gópi’, ela é conhecida por todos os seus adversários, inclusive Temer e outros. Ninguém de bom senso aguenta mais essa patifaria armada, por isso fomentam diariamente a destruição cerebral do indivíduo e a destruição dos laços familiares que norteiam uma sociedade saudável”, escreveu.
E aproveitou para atacar a gestão de Lula. “O povo quer um futuro melhor, sem essas cortinas de fumaça diárias para encobrir o pior governo da história do país, com números da era Dilma — sem pandemia e sem os efeitos iniciais de uma guerra que atingiram a economia de todo o planeta”, postou.
Por fim, fez uma declaração cifrada, falando em “fetiche”. “Vá arrumar o que fazer, pois sua única pauta é falar de mim. Não o julgo por seu fetiche, mas creio que quem está próximo de você não gosta dessa rotina bem fora do comum”, disse.
E terminou de forma menos hostil. “Um fraterno abraço, Jair Bolsonaro”.