Como será o julgamento de Carla Zambelli, que começa hoje no STF
Deputada é ré por ter perseguido um cidadão com arma em punho às vésperas da eleição de 2022 e pode ser condenada a até cinco anos de prisão

Começou, nesta sexta-feira 21, o julgamento da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) no Supremo Tribunal Federal por perseguir um cidadão em São Paulo empunhando uma arma de fogo (veja o vídeo abaixo). O caso é relatado pelo ministro Gilmar Mendes, e os magistrados têm o prazo para votar até a próxima sexta 28, no plenário virtual da Corte. Votam no caso os onze ministros da Corte.
A ação penal contra Zambelli é movida pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. No processo, a PGR pede a condenação da parlamentar por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Somados, os dois crimes preveem pena de até cinco anos de prisão.
A denúncia da PGR afirma que, embora a deputada tenha licença para porte de arma, ela teria abusado do direito ao usá-la para ameaçar um civil. O Ministério Público Federal pede que Zambelli perca o direito a portar armas e pague 100.000 reais em indenizações por danos morais.
Procurada, a defesa de Carla Zambelli afirma que rejeita as acusações de porte ilegal e constrangimento por acreditar que “a deputada não cometeu crime algum”.
Perseguição armada ocorreu na véspera das eleições de 2022
O caso ocorreu em 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Zambelli estava em um restaurante na região da Bela Vista, em São Paulo, quando foi xingada por um opositor de Jair Bolsonaro, então presidente da República.
Irritada, Zambelli seguiu o homem pela rua, acompanhada de um grupo de seguranças — o cidadão começou a correr quando vários deles sacaram suas armas, e um deles disparou um tiro para o alto. Na sequência, a própria deputada empunhou um revólver, apontou para o opositor e o perseguiu até encurralá-lo em um bar e gritar para que ele deitasse no chão.
Na versão de Zambelli, a perseguição começou porque o homem a teria empurrado ao chão. Nas imagens, contudo, é possível ver que a deputada tropeça sozinha em meio ao grupo que a acompanha.
Em janeiro deste ano, a Justiça Eleitoral de São Paulo cassou o mandato da deputada federal por disseminar desinformação e ataques às urnas eletrônicas durante as eleições de 2022. Ela permanece no cargo até que os recursos sejam julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).