Defesa de Bolsonaro diz que pedido de asilo à Argentina foi uma ‘sugestão’
Advogados do ex-presidente terão até a noite de sexta-feira, 22, para darem esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal

A defesa de Jair Bolsonaro negou nesta quinta-feira, 21, que ele teria tentado fugir do país por meio de um pedido de asilo para a Argentina. Além de dizer que o ex-presidente não descumpriu as cautelares impostas pela Justiça, a defesa disse que recebeu o indiciamento desta quarta, 20, “com surpresa”. Os advogados de Bolsonaro terão até a noite desta sexta, 22, para explicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o teor das mensagens que foram interceptadas pela polícia, que revelam que Bolsonaro planejou pedir asilo político no país de Javier Milei. A investigação encontrou uma minuta de pedido de asilo, sem assinatura, no celular do ex-presidente.
Na nota emitida pela defesa, os advogados afirmam que “os elementos apontados na decisão serão devidamente esclarecidos dentro do prazo assinado pelo Ministro relator, observando-se, desde logo, que jamais houve o descumprimento de qualquer medida cautelar previamente imposta”. O texto nega qualquer tentativa de fuga — que foi um dos argumentos da Justiça para, primeiro, colocar tornozeleira no ex-presidente e, depois, decretar sua prisão domiciliar.
Um dos advogados que compõem a banca de defesa do ex-presidente, Paulo Amador da Cunha Bueno, disse ao Portal G1, que a ida para a Argentina teria sido apenas uma “sugestão” de um aliado. Segundo o defensor, Bolsonaro teria recebido a ideia em fevereiro de 2024, antes de quaisquer medidas cautelares lhe serem impostas. Bueno não mencionou datas — porém, no dia 8 de fevereiro do ano passado, o passaporte de Bolsonaro foi apreendido em uma operação da Polícia Federal. O documento estava na sede do PL em Brasília.
Nesta quarta, 20, Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados na investigação que apura as tentativas dos dois de obstruírem o andamento da ação penal da tentativa de golpe de estado, por meio da busca de sanções internacionais a autoridades brasileiras. A aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes foi determinada com a ajuda e a intervenção do Zero Três e de outros bolsonaristas que estão nos Estados Unidos.
De acordo com a conclusão da PF, o ex-presidente e seu filho cometeram os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Agora, depois que a defesa cumprir o prazo de 48h para dar explicações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) é quem dirá os próximos passos do caso.