Esquerda já tem três nomes dispostos a enfrentar candidato de Lula no PT
Romênio Pereira e Valter Pomar já se lançaram candidatos, enquanto Rui Falcão, ex-presidente da sigla, indica em carta que deve entrar na disputa

A esquerda do PT já tem três nomes prontos para entrar na disputa pelo comando da legenda, em eleição que ocorrerá em julho, contra Edinho Silva, ex-ministro e ex-prefeito de Araraquara que é o preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da corrente majoritária da sigla, a Construindo um Novo Brasil.
Enquanto Edinho é visto como alguém conciliador, moderado e capaz de levar o PT mais para o centro, os seus adversários até agora estão mais à esquerda do espectro ideológico.
Dois nomes já se lançaram candidatos. Um deles é Romênio Pereira, fundador do partido, que tem atuação destacada na área internacional da legenda, mas pertence ao Movimento PT, com inclinação mais à esquerda e de pouca representatividade interna.
O outro nome é também histórico do partido. Historiador e membro do Diretório Nacional, Valter Pomar registrou no sábado a sua candidatura pela corrente Articulação de Esquerda. Em declaração ao site da legenda, afirmou que sua candidatura representa um projeto de direção socialista para orientar a disputa política do partido no país. “Vivemos tempos de guerra, de crise do capitalismo, de catástrofe ambiental”, avalia. “Em tempos assim, se quisermos vencer, é preciso mudar nossa estratégia e nosso jeito de funcionar”, afirmou.. Isso só será possível, completa, se o PT for um instrumento “de fato” da classe trabalhadora.

Outro nome importante, o deputado federal Rui Falcão, lançou uma carta aberta ao partido que foi vista como um indicativo de que pode entrar na disputa. Ele já presidiu o PT entre 2011 e 2017, tem um bom trânsito com Lula e com a corrente majoritária da sigla — por quem foi apoiado na sua eleição em 2011 –, mas pertence à tendência Novo Rumo, mais à esquerda.
Na carta, ele faz críticas a quem pretende mudar a direção ideológica do PT. “Nosso partido deve rechaçar os apelos à despolarização — palavra da moda que significa levar-nos a uma transição efetiva para o centro, com um forte rebaixamento ideológico, programático e organizacional”, afirma no documento. Diz, ainda, que o PT não pode ter a sua identidade distorcida por conta da necessidade da formação de grandes coalizões com legendas de ideologias diferentes para sustentar um governo. “O partido não pode ser reduzido a um braço institucional do governo de frente ampla”, afirma.
Resistência a Edinho
Além do aval de Lula, Edinho Silva tem o apoio de gente importante do partido, como o ex-ministro José Dirceu e os ministros Fernando Haddad e Alexandre Padilha. O grupo da ministra Gleisi Hoffmann, que deixou a presidência da sigla para assumir a Secretaria de Relações Institucionais do governo federal, não tem, no entanto, simpatia pelo ex-prefeito e já fez isso chegar a Lula em reunião com o presidente na semana passada, em Brasília – o grupo ainda trabalha para viabilizar um nome alternativo.
Edinho Silva, que reagiu fortemente à movimentação desse grupo, está percorrendo o país e conversando com diretórios municipais e estaduais para fortalecer o seu nome na disputa.