Polícia investiga aluna que gastou R$ 77 mil de formatura no ‘tigrinho’
Estudante do curso de direito admitiu procedimento aos colegas e processará casas de apostas; caso aconteceu em Chapecó (SC)

Uma estudante do curso de direito da Unidade Central de Educação Faem Faculdade (UCEFF), em Chapecó (SC), está sendo investigada pela Polícia Civil por ter gasto quase 77.000 reais da sua comissão de formatura em apostas on-line, as populares bets. Ela admitiu o episódio aos colegas de turma, que a denunciaram às autoridades. A festa iria acontecer no meio do ano.
De acordo com o advogado da estudante, Joel Sustakovski, ela também gastou uma boa quantidade do seu orçamento pessoal e está fazendo tratamento psicológico para tratar o vício em apostas. “Ela vai esclarecer todos os fatos e medidas judiciais serão tomadas para tentar reaver o dinheiro”, disse o advogado.
Segundo Sustakovski, houve várias apostas no conhecido “jogo do tigrinho”, mas também em outras bets, tanto autorizadas pelo Ministério da Fazenda quanto irregulares. Ele trabalha em um levantamento de tudo que a estudante perdeu e planeja ingressar com ações para recuperar o dinheiro dela e da comissão de formatura.
Depois de ter confessado aos colegas de turma, a estudante foi ameaçada de morte e vigiada por um dos alunos na sua residência. Por isso, ela precisou mudar de casa. O boletim de ocorrência foi feito há alguns dias, mas a estudante ainda não foi chamada para prestar depoimento. A Polícia Civil ainda não tipificou o caso, estando em aberto o crime pelo qual a estudante será investigada.
Bets preocupam autoridades
As bets foram retiradas da ilegalidade no fim do governo Michel Temer, mas só foram ser alvo de alguma regulamentação no governo Lula 3. As casas de apostas ficaram muito populares, principalmente pelo investimento em propaganda com times de futebol e influenciadores digitais.
No entanto, se antes havia um entusiasmo do governo federal com a possibilidade de altas arrecadações, com o tempo vários alertas foram se acendendo. Um relatório do Banco Central do meio do ano passado mostrou que beneficiários do Bolsa Família gastaram 3 bilhões de reais em bets apenas em agosto. Como mostrou reportagem de VEJA na edição nº 2907, o vício em apostas requer um protocolo de tratamento similar ao de um dependente químico.