
O presidente Lula deveria focar em recuperar a imagem da instituição Presidência da República e de um presidente estadista – conceito tão atacado na gestão Bolsonaro.
O petista já fez muitas outras vezes nos seus três mandatos. Fez exatamente isso logo após o 8 de Janeiro.
Mas, agora, ao comentar a aceitação da denúncia da trama golpista pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que tornou Jair Bolsonaro réu, Lula afirmou que “ao invés de chorar, [o ex-presidente deveria] cair na realidade e saber que cometeu um atentado contra a soberania desse país”.
Depois, continuou: “Não adianta agora ele ficar fazendo bravata, dizendo que está sendo perseguido. Ele sabe o que ele cometeu. Só ele sabe o que ele fez. Ele sabe que não foi correto. Como ele não tem como provar que ele não tentou dar o golpe, ele fica tentando fazer provocação.”
Nas muitas declarações sobre o caso nesta quinta, 27, o ex-líder operário só acertou mesmo quando afirmou que “não é o homem Bolsonaro que está sendo julgado, é um golpe de estado que está sendo julgado.”
Lula é o presidente. Bolsonaro é hoje inelegível e réu.
Quando o petista ataca o ex-presidente nessa hora não ajuda em nada fora da sua bolha. Só fala para seus apoiadores e ajuda a manter a odiosa polarização brasileira, não a saudável e até salutar da política.
Lula foi mais estratégico em outros momentos ao dizer apenas que o seu opositor merece a “presunção de inocência”. Esse é o papel institucional. Desta vez falou também, mas a declaração acabou contaminada pelo “e ninguém cala esse chororô”.
Parece até grito de torcida.