O presidente Jair Bolsonaro mostrou que vai fazer o que for preciso para atrair para si – novamente – os votos dos evangélicos nas eleições.
Nesta semana, ele reuniu centenas de pastores deste braço da fé cristã no Palácio da Alvorada e disse que vai dirigir a nação para o lado que esses líderes desejarem.
Falou o que os pastores gostam de ouvir com um único objetivo: exercer o máximo de influência que conseguir para buscar vencer Lula e os demais adversários em 2022.
“Seria muito fácil estar do outro lado. Mas, como eu acredito em Deus, se fosse para estar do outro lado, nós não seríamos escolhidos. Falo “nós” porque a responsabilidade é de todos nós. Eu dirijo a nação para o lado que os senhores desejarem”, disse o presidente.
A postura de Bolsonaro e os termos religiosos que usou em seu discurso, como as palavras “escolhidos” e “chamamento” (palavras comuns no segmento), mostram que o presidente trata os evangélicos como um “curral eleitoral”, ou seja, grupo que vai aceitar suas orientações e seguir suas ordens sem questionar.
O presidente parece desesperado para garantir os votos que fizeram toda a diferença para a sua eleição em 2018, especialmente no primeiro turno. Ocorre que, com a série de erros cometidos por ele, alguns fiéis deixaram de acreditar em Bolsonaro.
A luta, agora, é pela reconquista dos votos e… o antipetismo será usado dia e noite (não se enganem) como forma de atração. Assim como a influência…
O presidente de extrema-direita tem repetido uma cantilena direcionada aos evangélicos com uma frase específica: “o eleito em 2022 poderá indicar dois ministros do Supremo”. A ideia de Bolsonaro é bater na tecla da importância de aumentar o conservadorismo da corte.
Embora os pastores ainda exerçam influência sobre milhares de fiéis de forma errada e consigam direcionar esses votos para onde querem, religiosos já perceberam que o atual presidente não cumpriu suas promessas e só fala sobre a fé em Deus quando é conveniente.
Além disso, essa promessa de conduzir o país para onde os líderes evangélicos querem é um desrespeito à constituição que impõe o estado laico.
O problema é que Bolsonaro não está preocupado com isso, muito menos pastores como Silas Malafaia, presente na reunião desta semana.