Do protagonismo de Barroso à sobriedade de Fachin
Como o STF sai do olho do furacão a um ciclo de discrição
Luís Roberto Barroso deixa nesta segunda-feira, 29, a presidência do Supremo Tribunal Federal. Saiu como chegou, visível, falante e dono de frases fortes.
Na semana passada, resumiu sua despedida com uma convocação ao país: “Nós estamos precisando viver um novo tempo de recomeço (…) pacificação tem a ver só com civilidade”. Poucos dias depois, reiterou que ainda não decidiu seu futuro sobre permanecer ou não na corte: “Sair do Supremo é uma possibilidade, mas não é uma certeza”.
Enquanto Barroso cogita um retiro espiritual em outubro para avaliar a aposentadoria antecipada, o presidente Lula já se vê obrigado a pensar em cenários para o STF. Jorge Messias e Maria Elizabeth Rocha despontam entre os nomes mais citados.
O movimento imediato, no entanto, está dentro do próprio STF. Edson Fachin assume a presidência. Não haverá festa nem recepção, cartório com o sambista Diogo Nogueira. Sua discrição é o recado. Fachin projeta para dentro e para fora do tribunal uma imagem de compostura, quase um retorno ao estilo de Celso de Mello.
Quando foi indicado ao Supremo em 2015, Fachin enfrentou forte desconfiança. Críticos o acusavam de ter sido advogado do MST, o que é falso. Checagens mostraram que ele nunca advogou para o movimento.
O que houve foi sua atuação em defesa da reforma agrária no plano acadêmico e jurídico, o que bastou para alimentar campanhas de desinformação. Hoje, passados dez anos, é reconhecido justamente pela capacidade de se manter discreto, técnico e institucional.
Barroso esteve à frente do julgamento da trama golpista e dos atos de 8 de janeiro, sempre como ferrenho defensor da democracia. Encerra assim o ciclo de um Supremo no olho do furacão. Fachin começa o seu tentando devolver à instituição o valor do silêncio e, talvez, a confiança de parte da sociedade.
Se tiver êxito, poderá se tornar protagonista do melhor momento do Supremo nas últimas décadas.
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