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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Julgamento no TST põe em risco melhoria do saneamento 

Pleno da Corte julga tema trabalhista que gera rombo de R$ 1,28 bilhão à Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), no Rio Grande do Sul 

Por Matheus Leitão 22 mar 2025, 09h42
Julgamento no TST põe em risco melhoria do saneamento  Priorizar nos meus resultados Google

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga, nesta segunda-feira, 24, caso que pode afetar o setor de saneamento nos próximos anos. O debate trata dos aumentos por tempo de serviço dos funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) no período em que a empresa estava sob administração estatal.

O caso será analisado pelo Pleno do Tribunal e tem potencial para firmar a jurisprudência a ser adotada em processos semelhantes. Privatizada em 2023, a companhia é alvo de milhares de ações que questionam os critérios adotados pela empresa para aplicar o benefício. 

Essas promoções foram concedidas no decorrer de 30 anos, por meio de critérios que observaram a situação financeira e o crescimento da estatal. Os empregados, por sua vez, argumentam que a empresa deveria ter aplicado os aumentos a todos os funcionários, independentemente do contexto econômico da companhia. 

Passivo trabalhista

Hoje, há pelo menos 860 ações sobre o tema em tramitação no Tribunal. Dos 56 acórdãos publicados pelo TST em 2024 sobre o tema, 46 dão ganho de causa à Corsan. Há decisões favoráveis nas oito turmas da corte. Além disso, há outras 4 mil ações em primeira e segunda instância com possibilidade de serem levadas à apreciação do TST. 

Para se ter uma ideia, a Corsan acumula R$ 1,28 bilhão em pagamento de indenizações trabalhistas entre 2019 e 2023, ainda que boa parte das decisões no TST deem ganho à companhia. 

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Para resolver o alto estoque de ações de mesma natureza, o TST deve fixar a jurisprudência. Para isso, podem ser usados dois mecanismos: a Reafirmação Jurisprudencial, de execução sumária e sem debate técnico entre as partes envolvidas, e o Incidente de Recursos Repetitivos, que pressupõe discussão e análise de argumentos de ambas os lados, ou seja, empresa e funcionários. 

A depender do mecanismo a ser adotado no caso da Corsan, fica prejudicada a análise do impacto financeiro decorrentes da jurisprudência a ser aplicada. E, em efeito cascata, o resultado pode firmar o entendimento em processo de outras empresas de saneamento passadas à gestão privada e que tenham significativo passivo trabalhista.

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