ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Matheus Leitão

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

 O Brasil e o mercado de Carbono na Rota da COP

Em artigo enviado à coluna, Odair Rodrigues trata da Conferência das Nações Unidas. e a previsibilidade regulatório para a aceleração da agenda climática

Por Odair Rodrigues
21 out 2025, 09h50 • Atualizado em 21 out 2025, 10h00
  • À medida que nos aproximamos de mais uma Conferência das Partes (COP), o Brasil reafirma sua posição como protagonista indispensável na luta global contra as mudanças climáticas. O recente passo dado pelo governo federal dado na última semana, com a regulamentação do uso de créditos de carbono em concessões florestais, é um movimento estratégico que fornece a clareza regulatória necessária para destravar investimentos maciços em conservação e restauração.

    Na B4, vemos essa norma, publicada no Diário Oficial da União em 17 de outubro, como um marco fundamental. Ela altera o artigo 55 do Decreto nº 12.046/2024, que regulamenta a Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei nº 11.284/2006).

    A principal inovação do novo decreto reside na garantia de previsibilidade regulatória para os operadores do mercado. O texto estabelece que, na ausência de normas nacionais específicas, os concessionários poderão escolher metodologias reconhecidas para a certificação de projetos de carbono.

    Esta medida é vital. Ela busca preencher lacunas regulatórias e fornecer segurança jurídica aos concessionários. Essa flexibilidade é crucial enquanto avança a regulamentação da Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Ao permitir a adoção de metodologias internacionalmente reconhecidas, a regulamentação possibilita que projetos de concessão florestal, que incluem tanto o manejo sustentável quanto a restauração, gerem créditos de carbono de maneira mais célere e estruturada.

    Historicamente, o modelo de concessão florestal baseava-se em fontes tradicionais de receita ligadas à produção. O novo decreto amplia significativamente este escopo. Ele permite a monetização de serviços ecossistêmicos. A receita proveniente dos créditos de carbono passa a complementar as fontes tradicionais, o que fortalece o modelo de concessão e, crucialmente, torna viáveis iniciativas de restauração em larga escala. Especificamente, a norma garante que seja viável o desenvolvimento de projetos de REDD+ em áreas concedidas. Este é o alicerce para que o Brasil não apenas conserve, mas também recupere vastas áreas de floresta.

    Continua após a publicidade

    O timing desta regulamentação é impecável, ocorrendo na iminência das discussões globais sobre clima. Ela serve como um sinal claro para o mercado internacional. Ao criar condições regulatórias mais estáveis para projetos de carbono em florestas públicas, o país demonstra que está preparado para mobilizar recursos privados e mecanismos de mercado em apoio direto à agenda climática.

    Esta ação se encontra em total alinhamento com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris e das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Entre os objetivos globais que esta regulamentação ajuda a concretizar, destacam-se zerar o desmatamento e restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

    A possibilidade de transferência internacional desses créditos deve, contudo, observar as regras nacionais de reconhecimento. Daqui, celebramos este avanço. O mercado de carbono é a ponte entre o capital privado global e as metas climáticas nacionais. O governo federal deu um passo estratégico para transformar nossas florestas em ativos climáticos de valor inquestionável, posicionando o Brasil com credibilidade e segurança jurídica na mesa de negociações da próxima COP. 

    Continua após a publicidade

    Resta agora ao mercado responder com a celeridade e o volume de investimento que a urgência climática exige.

    * Odair Rodrigues é CEO da B4, Bolsa de Ação Climática 

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA RELÂMPAGO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.