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Mundo Agro

Por Marcos Fava Neves Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio

O agro brasileiro pode evoluir na agregação de valor nos produtos?

O Brasil exporta valor, tecnologia e sustentabilidade

Por Meire Kusumoto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 18 mar 2025, 09h55 - Publicado em 17 mar 2025, 17h04

É verdade que, historicamente, a economia brasileira se caracterizou pela forte presença do setor primário, dedicado à extração de recursos naturais e produção de alimentos básicos, dado o contexto colonial que existiu no país por mais de 300 anos. Com a emancipação de Portugal, as primeiras fábricas foram instaladas no Brasil, possibilitando a agregação de valor. No entanto, existe uma percepção equivocada de que o agronegócio se resume à exportação de grãos, carnes e outras commodities. Hoje, o país não exporta apenas soja e milho, mas também óleos refinados, produtos embalados, cortes animais premium e muitos outros produtos de alto valor agregado.

Para alcançar maior agregação de valor nos bens produzidos no Brasil, a agroindústria tem papel fundamental. Por definição, a agroindústria é o segmento responsável pela transformação de matérias-primas agropecuárias provenientes da agricultura, pecuária, aquicultura ou silvicultura. Portanto, a agroindústria é a ponte entre a produção agropecuária e o consumidor final. Em 2024, o PIB das agroindústrias brasileiras foi de 627,5 bilhões de reais, 24,3% do PIB do agronegócio brasileiro. Esse valor representa 5,7% do PIB brasileiro. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), somente as agroindústrias são responsáveis por empregar 4,7 milhões de pessoas.

O Brasil se destaca no cenário global como referência na exportação de diversos produtos de maior valor agregado. Nas bebidas, o país é o maior exportador mundial de suco de laranja, fornecendo oito em cada dez copos de suco consumidos no mundo, especialmente para mercados como União Europeia, onde esse número sobe para nove em cada dez. Nas carnes, ao somarmos as três principais proteínas consumidas (frango, suínos e bovinos), temos que o Brasil é responsável por 27% do comércio global. Já no setor sucroenergético, o Brasil lidera as exportações de açúcar, produto industrializado da cana. No setor de grãos, além da exportação da soja in natura, o país agrega valor por meio da produção de farelo e óleo de soja. Esses exemplos mostram que o agronegócio brasileiro não se limita à venda de commodities, entregando produtos processados e com maior valor agregado para o mercado internacional.

Nas cadeias de carnes – tomemos como exemplo o segmento de carne bovina –, a soja e o milho que seriam exportados como grãos seguirão para a indústria de ração animal. Na indústria, os grãos são beneficiados (tratados para manter a qualidade) e depois processados (transformados em farelo, farinha ou outras formas que terão melhores aproveitamentos dentro dos tratos digestivos dos animais). Em seguida, se juntam a componentes nutricionais para compor a ração que será dada aos bois. Portanto, desde a colheita da soja e do milho nas lavouras até a comercialização do boi abatido, houve grande agregação de valor. Para efeito de comparação (excluídas as diferenças de custos de produção), em fevereiro de 2025, a saca da soja (60 quilos) está sendo comercializada por volta de 130 reais, enquanto a arroba bovina (15 quilos) é comercializada por cerca de 320 reais, segundo dados do Cepea/Esalq.

Outro setor que se vale de maior agregação de valor em seus produtos é o de biocombustíveis. Atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil é o segundo maior produtor global de etanol, em um modelo baseado principalmente na cana-de-açúcar como matéria-prima, mas com o milho representando uma parcela maior a cada safra. Ao processar a matéria-prima com processos industriais como fermentação, destilação e outros, a produção do etanol agrega maior valor do que a simples exportação de cana ou milho. Além do valor agregado, a cadeia é exemplo de sustentabilidade, utilizando subprodutos da cana como bagaço e vinhaça para produção de novos produtos, como biofertilizantes para a lavoura e DDG (grãos secos de destilaria, em português) para alimentação animal.

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O agronegócio brasileiro já agrega valor por meio da agroindústria, dos biocombustíveis e da exportação de produtos processados, mas ainda há grande potencial de crescimento. Estratégias como a cooperação entre os elos da cadeia, inovação em embalagens com novas volumetrias e formatos, rastreabilidade, novos produtos para atender a demandas de mercados específicos, selos de origem e certificações de qualidade podem elevar ainda mais a competitividade do setor. Investir cada vez mais nas exportações de produtos processados de cadeias em que já somos líderes, como o café, é estratégia eficaz. Ao investir nessas estratégias de diferenciação no mercado, o Brasil capturará cada vez mais valor nas exportações, criando maiores superávits na balança comercial e gerando mais oportunidades às pessoas. Voltaremos nos próximos textos a comentar sobre estas estratégias.

 

Marcos Fava Neves é professor titular (em tempo parcial) da Faculdade de Administração da USP (Ribeirão Preto-SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto-SP). É especialista em planejamento estratégico do agronegócio. Confira textos e outros materiais em harvenschool.com e veja os vídeos no YouTube (Marcos Fava Neves). Agradecimentos a Vinícius Cambaúva e Rafael Rosalino

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