Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99
Imagem Blog

Murillo de Aragão

Por Murillo de Aragão Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

O favoritismo instável de Lula

Medo da volta do bolsonarismo pesa mais que avaliação do governo

Por Murillo de Aragão 16 jan 2026, 06h00 • Atualizado em 16 jan 2026, 12h19
  • A pesquisa Genial/Quaest de janeiro de 2026 oferece um retrato mais sofisticado do que a simples leitura de intenção de voto costuma sugerir. Ela confirma que Lula entra no ciclo pré-eleitoral como favorito, mas expõe, ao mesmo tempo, os limites estruturais desse favoritismo e a fragilidade política que o sustenta.

    É inegável que Lula parte em vantagem. Como presidente, tem a máquina na mão, controla a agenda pública, ocupa o centro do noticiário e dispõe dos instrumentos clássicos do poder. Soma-se a isso o fato de ter recebido do Congresso bilhões de reais em espaço fiscal para acionar medidas populares, ampliar programas sociais e irrigar a economia com políticas de impacto imediato. O incumbente nunca é um candidato comum.

    O problema é que esse favoritismo não se converte em consolidação política duradoura. A pesquisa revela um presidente que lidera, mas não entusiasma; que vence nos cenários simulados, mas sem produzir sensação de inevitabilidade. O governo parece depender continuamente de novas rodadas de medidas populares para sustentar sua posição, como se estivesse sempre empurrando a bola morro acima. Falta o salto qualitativo capaz de transformar vantagem conjuntural em hegemonia política.

    “O presidente tem um desafio decisivo: resolver o triângulo eleitoral formado por Rio, São Paulo e Minas Gerais”

    Esse dado é central. O lulismo que retorna ao poder já não encontra um país virgem de políticas redistributivas. Encontra um eleitorado que se acostumou à vida mediada por programas sociais e transferências de renda. O que antes gerava gratidão e mobilização hoje produz expectativa e rotina. Há aqui um paradoxo: o próprio sucesso do primeiro ciclo lulista criou as condições de sua banalização no segundo. O populismo de sempre ainda protege, mas já não encanta.

    Continua após a publicidade

    Para consolidar seu favoritismo, Lula enfrenta um desafio decisivo: resolver o triângulo eleitoral formado por Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Esses estados concentram peso demográfico e simbólico suficiente para definir o eixo da eleição — com Minas operando como pêndulo capaz de inclinar o resultado. O presidente precisa vencer nessas praças ou perder por margens controláveis.

    Nesse contexto, o voto pró-Lula tende menos a ser adesão entusiasmada e mais cálculo defensivo. Parte expressiva do eleitorado escolhe o presidente não porque enxergue projeto renovado, mas porque percebe menos risco nele do que nas alternativas. O medo do retorno do bolsonarismo pesa mais do que a avaliação positiva do governo. Trata-se de um favoritismo sustentado pela aversão, não pela paixão.

    Do outro lado, a oposição segue fragmentada, sem liderança clara e incapaz de converter o desgaste do governo em maioria política. O resultado é um sistema em suspensão: um presidente forte institucionalmente, porém politicamente dependente; um eleitorado pragmático, porém pouco mobilizado; e uma eleição que permanece aberta às contingências do caminho. Lula lidera porque pode, não porque convenceu plenamente.

    Continua após a publicidade

    Sobretudo porque demora a fazer acenos ao centro do eleitorado, acreditando que a aversão ao bolsonarismo e a presença de Geraldo Alckmin na chapa seriam suficientes para mitigar o esquerdismo — rejeitado pela maioria do eleitorado — de setores proeminentes do seu universo político.

    Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2026, edição nº 2978

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.