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Negócios, Mercados & Cia

Consignado: juros mais baixos versus risco de endividamento em massa

Trabalhadores ganham crédito; bancos ganham mercado

Por Neuza Sanches Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 24 mar 2025, 16h14 - Publicado em 24 mar 2025, 08h00

Começou a funcionar na sexta-feira o Crédito do Trabalhador, programa que permite a empregados do setor privado contratar empréstimos consignados com taxas de juros inferiores às de outras linhas de crédito, usando até parte do FGTS como garantia. Pelos dados divulgados pelo Ministério do Trabalho, em apenas dois dias de operação (das 6h de sexta até as 18h do domingo), foram feitos 36 milhões de pedidos de empréstimos consignados com garantia do FGTS, com cerca de 36.000 propostas solicitadas e 17.644 contratos fechados. “São 47 milhões de pessoas pagando mais de 5% ao mês de juros no crédito pessoal. Com essa garantia, as taxas podem cair 50% ou mais”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Criado por meio de medida provisória, o programa é mais um lance do governo para tentar recuperar a popularidade perdida nos últimos meses, à medida que os preços de itens importantes na mesa do brasileiro foram ficando cada vez mais altos. Assim, é bom colocar em perspectiva o que, momentaneamente,  pode gerar um ganho positivo de imagem para o presidente Lula e, a longo prazo, o que pode não ser o melhor negócio para o bolso de consumidores e eleitores.

Entre os fatores que jogam a favor do novo programa, está a inclusão financeira de grupos historicamente excluídos, como empregados domésticos e rurais e empreendedores de MEIs, que passam a ter acesso a crédito sem necessidade de convênio entre empresas e bancos. A previsão é de que o volume de empréstimos triplique, atingindo 120 bilhões reais em quatro anos, segundo a Febraban.

Por outro lado, especialistas alertam que o programa pode ampliar o endividamento familiar, já que o desconto das parcelas em folha de pagamento (limitado a 35% do salário) pode levar a contratações impulsivas. Além disso, embora as taxas sejam mais baixas que as do crédito pessoal, ainda estão longe de ser “baratas”: o consignado tradicional para servidores públicos costuma ter juros entre 1,5% e 2,5% ao mês, enquanto o novo programa não define um teto máximo, deixando margem para variações entre bancos.

O mercado financeiro comemora a abertura de novas oportunidades, e mais de oitenta instituições estão habilitadas a operar o crédito via Carteira de Trabalho Digital. Para alguns banqueiros, porém, esse otimismo contrasta com os riscos para os consumidores: “O consumidor não necessariamente ganha, porque os juros ainda estão altos. O mercado é que vai ganhar com isso”, resume um CEO do mercado financeiro.

Existe ainda uma outra dimensão nessa discussão. O aumento do crédito consignado deve funcionar como mais um fator de estímulo ao consumo, beneficiando setores como varejo e construção civil. O problema é que esse estímulo extra pode realimentar a cadeia de preços, tornando ainda mais difícil a tarefa do Banco Central de levar a inflação para a meta.  Em vez de uma “revolução” do crédito, o governo faria melhor se se empenhasse em ajudar o BC a controlar a inflação. Só assim, seria possível imaginar o dinheiro extra no bolso dos brasileiros.

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