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O Som e a Fúria

Por Felipe Branco Cruz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Pop, rock, jazz, black music ou MPB: tudo o que for notícia no mundo da música está na mira deste blog, para o bem ou para o mal

A bebedeira que originou um dos piores discos de rock de todos os tempos

Combinação bizarra de músicos foi uma das piores ideias da história

Por Sergio Ruiz Luz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 24 mar 2025, 19h50 - Publicado em 23 mar 2025, 10h46

O documentário fictício Spinal Tap, que ficou famoso por satirizar os excessos do mundo do rock, ganhará uma continuação cuja estreia está prevista para setembro. No primeiro filme, uma das cenas mais hilárias é a da decoração do palco que teria ao fundo uma réplica do de Stonehenge. Na estreia do show, entretanto, a banda descobre que, por um erro de escala, o monumento ficou ridiculamente pequeno, provocando risos.

A passagem foi inspirada na fase em que o Black Sabbath tinha como frontman o vocalista Ian Gillan. Tanto o disco quanto a turnê que se seguiu ao lançamento ficaram marcados como um fiasco das proporções de Stonehenge. Recordando-se o início dessa história, fica clara o quanto ela estava destinada ao fracasso.

Certo dia, ainda preso à cama em meio a uma monumental ressaca, Ian Gillan, o lendário cantor do Deep Purple, acorda com o telefonema de seu empresário:

— Se você vai tomar decisões sobre sua carreira, não é melhor me consultar primeiro?

Conforme relatou em várias entrevistas, de forma bem-humorada, Gillan levou alguns minutos até entender do que se tratava. Mais uma vez, o empresário tratou de refrescar a memória dele:

— Aparentemente, ontem você concordou em se tornar o novo vocalista do Black Sabbath!

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Aos poucos, vieram à mente de Gillan as vagas lembranças de um encontro em um pub com dois integrantes do Black Sabbath, o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler. O Sabbath, a banda que praticamente inventou o heavy metal, estava sem vocalista, e o encontro com Gillan, turbinado por rodadas e rodadas de álcool, resolveu o problema.

— Topei me juntar ao Sabbath quando estava completamente bêbado, lembra Gillan.

A reunião que daria origem ao novo disco do Sabbath provocou grande surpresa no mundo do rock. Embora tivessem em comum o som barulhento, Deep Purple e Black Sabbath eram como água e azeite. O Purple tinha um pedigree de hard rock respeitado pela crítica, com influências do blues e da música clássica. Enquanto isso, o Sabbath era normalmente detonado nas resenhas das principais revistas musicais, cujos jornalistas não levavam a sério o estilo de riffs pesados e as letras de temática macabra.

Era início dos anos 80 quando Gillan encontrou-se com Iommi e Butler. Na época, o cantor acumulava dívidas ao tentar a carreira solo, após o fim do Purple. O Sabbath não estava em melhor fase. Havia ressuscitado com a substituição de Ozzy Osbourne por Ronnie James Dio, mas a boa fase durou pouco. Depois de dois discos, Dio deixou a banda para formar um grupo com o seu próprio nome.

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Após muitos e muitos pints de cerveja, os roqueiros em entressafra acharam uma ótima ideia reunir forças, sem medir as consequências da combinação improvável. Gillan no Sabbath soava tão esquisito quanto se Mick Jagger resolvesse entrar nos Bee Gees. Mas o pior dessa combinação ainda estava por vir.

O conjunto de músicas registrado nas gravações na Inglaterra estava longe de fazer justiça ao glorioso passado de todos os envolvidos. Com sua voz grave de cantor de blues, Gillan não se encaixava no furioso tiroteio de guitarras disparado por Iommi. A capa escolhida representou uma espécie de sepultura à bizarra combinação: em fundo azul, trazia uma tosca ilustração de um bebê-diabo. Ao ver a arte-final, Gillan disse que sentiu vontade de vomitar.

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A capa que provocou reação inesperada de Ian Gillan (Reprodução/VEJA)

A trupe seguiu em turnê para promover o malfadado disco — e o vexame só aumentou. Gillan tinha de espalhar cartazes pelo chão para poder se lembrar das letras, e o cheiro de armação sem sentido aparecia com clareza no bis, quando a trupe mandava Smoke on the Water, hit do Deep Purple. Confira aqui um vídeo com Gillan à frente do Sabbath:

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O palco com uma réplica de Stonehenge tinha 12 metros de altura, e a apresentação começava com um anão vestido de bebê-diabo engatinhando em cima da armação, até cair de costas. Um colchão era colocado estrategicamente no backstage para amortecer a queda, até que chegou o dia em que a produção esqueceu dessa proteção. Resultado: o minifigurante estatelou-se no chão.

Segundo o jornalista Mick Wall, autor da biografia do Black Sabbath, Gillan saiu do grupo logo em seguida para fazer parte da reativação do Purple e levou décadas até o Sabbath conseguir recuperar a reputação de banda séria.

Moral da história: não beba demais quando estiver discutindo a formação de um novo grupo.

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