As duas notas musicais que mataram espectadores de susto no cinema
Filme clássico voltará às telas em comemoração ao cinquentenário de seu lançamento

Você encomenda a trilha sonora do seu filme para um mestre do gênero e, na hora da apresentação daquilo que deveria ter sido criado sob medida para o longa, ele martela ao piano uma composição simplória, com apenas duas notas musicais de alternando, em ritmo frenético. A reação imediata só podia ser uma: é alguma uma piada? Essa cena ocorreu de fato, tendo como personagens John Williams e Steven Spielberg.
O cineasta estava em meio às problemáticas filmagens de Tubarão (os três robôs utilizados nas filmagens deram inúmeros problemas) e, num primeiro momento, não entendeu que a simplicidade da composição era capaz de transmitir às plateias a sensação de medo com a aproximação do predador. Depois de topar incluir a composição no filme, Spielberg descobriu que ela se mostraria fundamental no processo de edição do longa. Como sobravam muitas imagens mostrando apenas o oceano, a obra de John Williams fazia o papel de criar o suspense necessário até a aparição do bicho.
Como se sabe, milhões de espectadores fizeram fila para tomar susto nos cinemas após o lançamento do filme, em 1975. Em poucas semanas, Spielberg recuperou o investimento feito na produção, de 7 milhões de dólares. No Oscar, a produção levou as estatuetas de som, edição e melhor trilha sonora original. Até hoje, ela é considerada uma das maiores obras do gênero em todos os tempos.
Uma série de eventos está programada para celebrar em 2025 os cinquenta anos de Tubarão, incluindo o relançamento do filme, previsto para ocorrer no próximo mês, com uma exibição especial no TCM Classic Film Festival, seguida por uma reapresentação nacional nos Estados Unidos entre 29 de agosto e 4 de setembro, organizada pela Universal. Tomara que a programação se estenda ao Brasil.
Velhos fãs vão poder matar as saudades do longa e as novas gerações poderão conferir um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A despeito de ter sido feito numa época em que não existiam efeitos digitais e que o temível tubarão era um tosco robô se arrastando pelo mar, os sustos estão garantidos, com ajuda a brilhante sacada de John Williams: tan, tan, tan, tan…