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O Som e a Fúria

Por Felipe Branco Cruz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
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O revival da banda que muitos têm vergonha de admitir que eram fãs

Grupo vendeu mais de 20 milhões de discos, mas nunca virou objeto de culto

Por Sergio Ruiz Luz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 24 fev 2025, 17h49 - Publicado em 24 fev 2025, 17h36

O Rock & Roll Hall of Fame nunca estendeu o tapete vermelho para eles. Costumam também ficar de fora das listas das grandes bandas da história elaboradas por publicações especializadas como a Rolling Stone. Mais difícil ainda é achar um fã por aí vestindo a camiseta do grupo que vendeu mais de 20 milhões de álbuns ao longo da carreira. Por muito menos, artistas viraram grandes objetos de culto.  Definitivamente, não foi o caso do Supertramp.

Como então explicar o paradoxo de a indústria bancar o relançamento que irá ocorrer no próximo dia 28 de um dos LPs mais populares do grupo, Live in Paris, gravado durante a turnê mundial de 1979, em luxousa edição tripla (o original era um álbum duplo)? Muita gente furou o vinil de tanto tocar na vitrola e certamente vai investir pesado na nova versão, só que de forma quase clandestina, sem ficar alardeando pela vizinhança. Eis o problema: o Supertramp é o tipo de banda que muitos têm vergonha de admitir que eram (e continuam) fãs.

É verdade que o investimento na imagem nunca foi o forte da turma, que se recusava a aparecer em fotos na capa dos discos. Não por acaso, no auge do sucesso, um dos integrantes principais já contou em entrevistas que conseguia circular anonimamente em meio à plateia — alguém consegue imaginar Mick Jagger fazendo o mesmo sem ser incomodado? Tampouco ajudaram a engordar com uma mísera nota de rodapé a farta crônica de excessos que fez a fama de muitos artistas. Orgias com groupies, quebra-quebra em hotéis, polêmicas com imprensa: nada disso fazia parte da rotina dos ingleses do Supertramp.

O som também provocava alguma confusão entre os críticos, que tinham uma certa dificuldade em colocar a banda em alguma prateleira. A tendência era classificá-los como integrantes da onda do rock progressivo, mas as músicas de maior sucesso deles não tinham nada a ver com suítes pseudo-clássicas típicas do gênero. Além disso, nem sempre se levavam a sério: várias letras são bem-humoradas e irônicas. No refrão de Logical Song, o maior hit do Supertramp, por exemplo, o cantor curte uma crise existencial, desabafando no refrão: “As perguntas são muito profundas, para um homem tão simples, por favor, diga-me o que sabemos, eu sei que parece absurdo, por favor, diga-me quem sou”. Confira aqui é vídeo da canção:

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ASCENSÃO E QUEDA 

Outra diferença é que o Supertramp não tinha um frontman típico. Os dois compositores se revezavam nos vocais, muitas vezes, em ótimos duetos, com a voz aguda de Roger Hodgson fazendo contraponto aos graves de Rick Davies. Os dois líderes e fundadores da banda se desentenderam feio poucos anos após a turnê do disco Live In Paris. Essa temporada de shows ocorreu na esteira do lançamento de Breakfast in America, o LP de estúdio de maior sucesso deles. Além de Logical Song, ele trazia clássicos como Take a Long Way Home e Goodbye Stranger, sucessos inescapáveis das rádios entre o final dos anos 70 e o começo dos 80.

Rick tentou levar a banda adiante sem o parceiro, mas nunca obteve igual êxito. Eles se afastou dos palcos em 2015 devido a um mieloma múltiplo, um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea. No ano passado, fez uma breve aparição num show nos Estados Unidos. Roger se mantém mais ativo, celebrando até hoje as mesmas velhas canções em shows nostálgicos que, vira e mexe, passam pelo Brasil.

Com o relançamento de Live in Paris, muitos poderão matar as saudades dessa banda — mas esses fãs certamente não vão contar para ninguém isso (este que vos escreve também fará o mesmo).

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