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Planeta IA

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Inteligência artificial, tecnologia e o que tudo isso muda na sua vida

Atrofia cognitiva: o que é, quais os riscos e como tentar evitar?

Esse foi um dos temas debatidos no SXSW segundo Piero Franceschi, CEO da escola de negócios Startse. Aqui, ele conta o que isso pode mudar na sociedade

Por Alvaro Leme 23 mar 2026, 17h03 • Atualizado em 24 mar 2026, 09h48
  • Qual é o papel humano numa sociedade em que máquinas podem pensar por nós? Até que ponto essa escolha é realmente inteligente, e quais seus impactos nas pessoas?

    Parte das discussões do SXSW deste ano passou por essas perguntas, relata Piero Franceschi, CEO da escola de negócios Startse, que acaba de voltar do evento de tecnologia tradicional de Austin, nos Estados Unidos.

    Entre os insights listados por ele como os mais relevantes do conteúdo das palestras, está a hipótese de que a inteligência artificial pode produzir uma geração mais informada, mas cognitivamente atrofiada. Na entrevista abaixo, ele conta mais a respeito.

    O que é atrofia cognitiva?

    Quando determinadas funções mentais deixam de ser exercitadas com frequência, o cérebro tende a reduzir sua atividade nessas áreas. Isso veio de um alerta de pesquisadores do MIT. Não se trata apenas de automação de tarefas. Trata-se da automação de partes do próprio processo de pensar.

    Na prática, o que isso quer dizer?

    Os primeiros efeitos disso começam a ser vistos na capacidade de memorização e de raciocínio crítico. A gente percebe que as pessoas ficaram mais desatentas e distraídas, com o pensamento mais recortado. É um risco associado à tecnologia já há algum tempo, só que agora com o alerta de que é preciso o humano se esforçar para ser mais autônomo e menos autômato. A grande discussão é que, talvez, a humanidade vá se dividir em dois tipos de gente: os que realmente vão se ampliar com a máquina, e os que vão na direção contrária por causa dessa terceirização.

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    Em algum momento, paramos de memorizar números de telefone porque todos estão salvos no celular. Dá para dizer que é um processo similar, numa escala muito maior?

    Perfeito. Eu sempre brinco que essa é a economia dos atalhos. A gente vai descomissionando — o termo inglês que eles usaram é decommissioning. Eu vou tirando a faculdade mental do ponto de vista do atrito.

    E o atrito é fundamental para o aprendizado.

    O cérebro humano se desenvolveu ao longo dos milênios pelo atrito, pela dificuldade. Durante milênios, a inteligência humana foi moldada pelo esforço de resolver problemas, explorar caminhos incertos, errar e tentar novamente. Isso era parte inevitável da experiência de aprender.

    Essa terceirização surge da ideia de economizar tempo. A gente pode concluir que essa solução imediata vai custar caro em um momento posterior?

    Sim, esse barato pode sair caro. No nível pessoal você tem uma perda, claro, mas também existe o risco profissional. Quando o funcionário humano vai terceirizando, terceirizando, terceirizando, a pergunta final é: então, para que eu tenho essa pessoa aqui?

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    Como se combate a atrofia cognitiva?

    Não existe ainda uma resposta clara. Eu diria que é preciso, no nível individual, buscar construir pequenos atritos diários nos processos. Um pouco de fricção intencional.

    Pode dar um exemplo?

    Em alguns momentos inverter a participação do ChatGPT em processos de criação. Em vez de envolver a IA durante, trazer para o pós. Você senta meia hora e cria aquilo, tira o máximo de proveito desse processo cerebral, depois traz o modelo para questionar, criticar ou validar o material.

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    Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda em 5 Minutos

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