Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99
Imagem Blog

Planeta IA

Por Alvaro Leme Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Inteligência artificial, tecnologia e o que tudo isso muda na sua vida

Qual é o papel dos pais na era da IA?

É desafiador preparar os filhos para um futuro cada vez mais imprevisível. Gary Bolles, mentor do Vale do Silício, aponta alguns caminhos

Por Alvaro Leme 8 set 2025, 14h25 •
  • “Não aguento mais viver momentos históricos.” A frase não é minha, tem aparecido para mim nas redes sociais com cada vez mais frequência, e acho compreensível que as pessoas se identifiquem com ela. Afinal, de pandemia a guerras, passando por tentativas de golpe, anda meio difícil não se sentir atordoado.

    Nesse cenário, a inteligência artificial aparece como mais um elemento com que a gente precisa lidar. Por um lado, facilita a rotina em uma série de situações. Por outro, paira sobre o mercado de trabalho com a promessa de automação.

    Com isso em mente, fui conversar com Gary Bolles, mentor do Vale do Silício. O norte-americano, que esteve no Brasil para o IT Forum Praia da Forte, evento realizado pelo IT Forum, frente de negócios do Itaqui, é integrante da Singularity University e autor do livro The Next Rules of Work.

    Como preparar as crianças para o futuro do trabalho, num cenário tão imprevisível?
    A primeira coisa que sugiro para os pais é uma mudança de mentalidade. Nos Estados Unidos, chamamos de “helicoptering”, quando os pais pairam sobre as crianças para protegê-las. O desafio disso é que elas não aprendem a ser resilientes e a resolver desafios. Se continuarmos a levantá-las quando caem, elas não saberão como se levantar sozinhas. A primeira coisa a fazer é descobrir quais são os riscos seguros para ajudar seu filho a praticar a resiliência.

    E como se faz isso?
    Uma diretora de marketing de uma grande empresa me contou sobre a sua experiência na praia com o filho de cinco anos, que queria entrar nas ondas. Ela deu uma olhada pro mar, e encontrou uma onda que não era muito grande nem muito pequena. A criança correu, foi derrubada e voltou com um enorme sorriso no rosto, orgulhosa do que havia feito. É isso que ela sugere: exponha seu filho a desafios que permitam que ele aprenda resiliência e independência sem um risco muito grande. O mesmo vale para as organizações que querem ajudar seus trabalhadores a serem expostos a novos problemas para resolver, sem que a empresa resolva todos os problemas para eles.

    Continua após a publicidade
    Gary Bolles Vale do Silício Singularity University
    Gary Bolles, autor do do livro As Próximas Regras do Trabalho (IT Forum Praia do Forte/Divulgação)

    Você chama smartphones de dispositivos de distração digital. O tempo de tela para crianças deve ser limitado?
    Faça o que puder para limitar a exposição à tela nos primeiros três anos. Dos 3 aos 5 anos, no máximo, meia hora por dia de todas as telas, incluindo televisão. Daí em diante, você precisa ajudá-las a criar suas próprias regras para limitar o uso. Encoraje as crianças a assistirem a conteúdo de formato mais longo, pelo menos meia hora, até um filme, com outras crianças, para que seja uma experiência compartilhada.

    O conteúdo curto, como do TikTok e dos YouTube Shorts é prejudicial?
    Os estudos mostram que esse formato tem um impacto negativo nas habilidades de atenção. O aumento do déficit de atenção para os jovens, que está aumentando, é um grande contribuidor para a falta de habilidade de ter atenção a longo prazo e isso tem um impacto maciço no aprendizado.

    Continua após a publicidade

    Há uma crença de que muitas pessoas do Vale do Silício não deixam seus filhos usarem mídia social. Isso é verdade?
    Aqueles que têm mais dinheiro e poder, que têm recursos, recebem a mensagem de que precisamos expor nossos filhos ao mundo analógico. Por outro lado, há aqueles que são chamados de tecno-otimistas, que pensam que tudo pode ser resolvido com tecnologia. Eles não acham que você precisa mais de professores porque temos telas. A verdade é que precisamos de ambos. É ideal uma exposição limitada às telas, onde as crianças podem aprender e ter muito controle e interação, tanto quanto em um esporte de equipe. Mas é preciso ter esses ritmos alternados.

    Há um meme que tenho visto com mais frequência ultimamente, que diz “estou cansado de viver momentos históricos”. O que mais assusta as pessoas hoje em dia?
    A preocupação de hoje se resume a uma única questão: o que vai durar? Em uma era de constante enxurrada de informações, as pessoas recuam e buscam por segurança em primeiro lugar. É por isso que vemos uma guinada conservadora em todo o mundo. As pessoas só querem entender essa onda após onda de mudança exponencial e se há algo que possa ser constante.

    E há algo que pode ser constante?
    Sua família, sua comunidade e religião são constantes. No aspecto profissional, o cenário é diferente. Porque a natureza do trabalho e das organizações está sendo transformada. No passado, você poderia ser médico ou advogado e ter a certeza que continuaria no ramo em quarenta anos. Hoje não é mais assim.

    Continua após a publicidade

    Tenho visto muitas pessoas voltando para a escola aos 40. Reinvenção se tornará cada vez mais a regra profissional?
    Não apenas a regra, mas a exigência. Com o ritmo e a escala da mudança de hoje, cada indivíduo vai se encontrar em situações em que o trabalho que faziam vai mudar.

    A IA tornará a semana de trabalho de quatro dias possível?
    Existem ótimos exemplos de empresas, como agências criativas no Reino Unido, que tentaram uma semana de trabalho de quatro dias. E eles descobriram que, com a estrutura certa, você pode ter a mesma produção, o mesmo resultado e a mesma eficácia dos funcionários.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.