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Por Trás dos Números

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Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel

Natal: O Brasil que ainda se encontra à mesa

Mais do que uma celebração religiosa ou comercial, a data funciona como um raro ponto de pausa coletiva

Por Renato Meirelles 23 dez 2025, 15h18 •
  • Em um país marcado por crises políticas recorrentes, incertezas econômicas e uma rotina cada vez mais acelerada, há um dado que se destaca pela força simbólica. O Natal continua sendo o principal momento de encontro familiar no Brasil. Mais do que uma celebração religiosa ou comercial, a data funciona como um raro ponto de pausa coletiva, em que o convívio presencial volta a ocupar o centro da vida social.

    Dados recentes mostram que mais de nove em cada dez brasileiros passam o Natal com a família, seja de forma recorrente ou ao menos em algumas ocasiões. O Réveillon também se destaca como um momento relevante de convivência, embora com intensidade ligeiramente menor. Essas datas preservam um valor afetivo que atravessa o tempo e resiste às transformações tecnológicas.

    O que está em jogo é uma necessidade concreta de reconexão. Em um contexto em que 65% dos brasileiros afirmam passar menos tempo com a família do que gostariam e a imensa maioria tem parentes que vivem longe, nesse cenário, os rituais coletivos ganham um papel ainda mais estratégico. Eles se tornam momentos de recomposição de vínculos, algo cada vez mais escasso na vida contemporânea.

    A convivência familiar continua acontecendo ao longo do ano, ainda que de forma fragmentada. A maioria dos brasileiros relata se reunir com a família algumas vezes por mês. Isso indica que, apesar das dificuldades impostas pela rotina, o esforço para manter esses laços permanece ativo. O que muda é a intensidade simbólica: o fim de ano passa a concentrar aquilo que falta ao longo do restante do calendário.

    Os dados também ajudam a entender quem sustenta esses rituais. Adultos entre 25 e 40 anos aparecem como o grupo mais presente nos encontros familiares ao longo do ano, funcionando muitas vezes como o elo entre gerações. São eles que conciliam trabalho, filhos, pais e avós, e que acabam assumindo o papel de organizadores. As mulheres seguem ocupando um lugar central nesse processo, com participação mais frequente nos encontros e maior envolvimento na preservação das tradições familiares.

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    Em um cenário de muita conectividade digital e agendas cada vez mais sobrecarregadas, a família segue sendo um eixo estruturante da vida social. A felicidade, para a maioria dos brasileiros, ainda está diretamente associada ao compartilhamento e à ideia de que experiências só fazem sentido quando vividas com quem se ama.

    O fim de ano mobiliza consumo, deslocamentos, serviços e decisões que atravessam diferentes setores. Mais do que isso, revela que, no Brasil, o vínculo familiar continua sendo um ativo emocional poderoso, capaz de organizar prioridades, comportamentos e escolhas.

    Em meio ao ruído, à polarização e ao excesso de informação, talvez o dado mais revelador seja este: o brasileiro ainda procura estabilidade onde sempre encontrou — ao redor da mesa, em família.

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