A má notícia da ‘prévia’ da inflação de março
IPCA-15 vem melhor do que o esperado pelo mercado no mês, mas itens do índice e medidas do governo atrapalham expectativa

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma “prévia” da inflação oficial do país, desacelerou em março ante fevereiro e veio melhor do que o esperado pelo mercado. Isso poderia ser uma boa notícia, não fosse a qualidade dos itens que compõem o índice e as recentes decisões do governo, pelo seu caráter inflacionário.
O IPCA-15 subiu 0,64% em março, contra uma alta de 1,23% em fevereiro, em resposta ao fim dos reajustes de educação e a normalização no preço da energia elétrica. Para Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, os destaques estão na aceleração da inflação em alimentos (1,25%) e pela alta robusta de serviços (0,66%), antigos pontos de preocupação dos economistas.
Além disso, a média dos núcleos subiu 0,47% no mês, com a taxa em 12 meses subindo para 4,68%, nova máxima ante 2024. “Apesar do IPCA-15 abaixo do consenso, a qualidade do IPCA segue ruim, principalmente pelos níveis elevados das medidas subjacentes de inflação”, afirma o economista.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research , esse cenário, somado à desancoragem das expectativas, gera mais dor de cabeça para o Banco Central. Afinal, além da composição ruim da inflação em algumas linhas, como serviços, as medidas novas anunciadas recentemente pelo governo devem ir no sentido contrário a um esfriamento da economia e limitar a desaceleração – ou até mesmo intensificar – a inflação.
Segundo Sung, entre as medidas anunciadas pelo governo Lula estão a expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, a liberação do FGTS como garantia para a contratação do crédito, o reajuste do salário-mínimo e a possível antecipação da 13ª parcela do INSS.