Por que o dólar vem encolhendo e perdendo força?
O programa Mercado vai discutir os seguidos movimentos de alta do Ibovepsa, principal índice da B3, e a desvalorização da moeda americana
A forte queda do dólar nesta terça-feira (27) não é um fenômeno isolado nem obra do acaso. Trata-se de um movimento global, que reflete o desconforto crescente dos investidores com a economia dos Estados Unidos — ainda o principal destino dos investimentos no mundo, mas hoje cercado de incertezas. As ameaças tarifárias do presidente Donald Trump voltaram a pesar: França, Canadá, Coreia do Sul, países da União Europeia e até nações que mantêm negócios com o Irã entraram no radar. Muitas dessas tarifas podem nem sair do papel, mas o estilo agressivo de negociação, à base de anúncios e recuos, tem elevado a aversão ao risco.
No Brasil, o dia foi de euforia. O dólar comercial caiu 1,41% e fechou a R$ 5,206, o menor valor em 20 meses, acumulando queda de 5,16% em 2026. A Bolsa acompanhou o bom humor: o Ibovespa subiu 1,79%, fechando aos 181.919 pontos, novo recorde histórico. O fluxo de capital estrangeiro ganhou força, impulsionado justamente por essa migração de recursos que saem dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes. A ajuda veio também de casa: a desaceleração da prévia da inflação no IPCA-15, em janeiro, reforçou apostas mais otimistas para os ativos locais.
Lá fora, o pano de fundo segue tenso. A liquidação do dólar é a mais intensa desde a blitz tarifária de abril de 2025, alimentada por políticas erráticas, ataques de Trump ao Federal Reserve, dúvidas sobre os juros e até sinais de que os EUA estariam dispostos a vender dólares para favorecer o iene japonês. Enquanto isso, a economia americana sente o impacto da alta de preços e da violência urbana, como os episódios recentes em Minneapolis. Questionado sobre a fraqueza da moeda, Trump minimizou: “o dólar está indo muito bem”. O mercado, porém, parece discordar — e segue com os nervos à flor da pele.






