Ruídos no BC e reajuste no Congresso
O programa Mercado que vai ao ar de segunda à sexta, sempre a partir das 10h, vai discutir esses dois assuntos
A indicação do atual secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para uma diretoria do Banco Central ecoa na Faria Lima. O motivo é menos o currículo — robusto, com trajetória acadêmica e passagem pela formulação de políticas públicas — e mais a desconfiança com a proximidade do economista com o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mercado, como se sabe, lê sinais políticos com lupa quando o assunto é BC. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou o nome em entrevista à BandNews FM e que a sugestão foi feita no final do ano passado.
Se a indicação avançar, o caminho passa pelo Senado, com sabatina e votação. Há duas cadeiras vagas na diretoria do BC, e a escolha não é detalhe: trata-se de áreas sensíveis, como política monetária e organização do sistema financeiro. O mercado quer previsibilidade e autonomia técnica, e qualquer ruído vira volatilidade. Por isso, a reação não é exatamente surpresa — é quase um reflexo condicionado.
Reajustes
No Congresso, outro tema quente ganhou ritmo acelerado. Câmara e Senado aprovaram, a toque de caixa, o reajuste dos servidores das duas Casas. Os textos preveem aumentos escalonados entre 2026 e 2029 e criam uma gratificação de desempenho que pode chegar a 100% do salário, abrindo brecha para rendimentos acima do teto constitucional. Para se ter ideia, no Senado, o vencimento inicial de um auxiliar legislativo pode sair de R$ 3,3 mil para R$ 5,8 mil, enquanto o topo da carreira de consultor pode alcançar R$ 24,1 mil em 2029. Agora, a bola está com Lula: falta a sanção presidencial.






