Se a quarta é ‘super’, a eleição de 2026 segue vilã
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Quem não é íntimo dos jargões do mercado talvez nem saiba que existe uma “super quarta”. É o dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos batem o martelo sobre os juros. Quando as datas coincidem — como agora, no dia 10 — o mercado treme um pouco mais. Por aqui, ninguém aposta em surpresa: o Copom deve manter a Selic em 15% ao ano. O suspense está no comunicado pós-reunião, especialmente nas palavrinhas “bastante” e “prolongado”, que têm sido a senha de que o BC não vê pressa para aliviar os juros. Se uma delas cair, o mercado já chama de “vitória”.
Lá fora, o enredo é mais movimentado. O humor dos investidores oscilou como nunca nos últimos 43 dias — primeiro com apostas na manutenção dos juros, depois no corte. E veio mais lenha para o fogo: o relatório ADP da semana passada mostrou que o setor privado perdeu 32 mil vagas em novembro, muito longe da criação de 40 mil projetada pelos analistas. Resultado? As chances de que o Fed anuncie, no próprio dia 10, um corte de 25 pontos-base já beiram 90%.
Mas, claro, estamos no Brasil. E aqui a super quarta traz companhia: o fantasma de 2026. A sexta-feira passada mostrou que o mercado ainda não lidou bem com o anúncio de Jair Bolsonaro de que o filho 01, o senador Flávio Bolsonaro, é o nome da família para a disputa presidencial. A bolsa reagiu mal, muito mal — caiu como não caía desde fevereiro de 2021. Analistas ouvidos discretamente dizem o mesmo: enquanto o Copom tenta calibrar expectativas de juros, a política segue testando a paciência dos investidores. No sábado, o senador disse que pode desistir da candidatura. Mas o estrago já tava feito e no meio da super quarta, o vilão continua sendo o mesmo: a eleição que nem começou, mas já dá prejuízo emocional.





