Empresário acusa ex-sócios de golpe milionário em negócio de TI
Ação dos ex-sócios teria provocado a quebra da Figo Technologies Brasil e prejuízos estimados em 40 milhões de reais, segundo ação na Justiça de SP
Aportou recentemente na Justiça de São Paulo uma disputa empresarial digna de novela. Dono da Figo Technologies Brasil, uma empresa do ramo de tecnologia de informação que chegou a faturar 100 milhões de reais nos bons tempos, o empresário Emanuel Medeiros acusa dois ex-sócios de terem literalmente roubado seu negócio, valendo-se da relação empresarial que tinham com ele para abrirem empresas concorrentes e, em sigilo, tirarem clientes — incluindo uma multinacional — e negócios da empresa.
A ação dos ex-sócios teria provocado a quebra da Figo e prejuízos estimados em 40 milhões de reais. Na semana passada, a 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do TJSP determinou o bloqueio das contas bancárias dos ex-sócios de Emanuel.
“Apesar dos fortes indícios trazidos na inicial e na documentação que a acompanha, o processo é complexo, exige dilação probatória e, notadamente, a garantia do contraditório. À vista do exposto, concedo parcialmente a tutela de urgência apenas para determinar o bloqueio judicial das cotas sociais dos réus”, decidiu o juiz Ralpho Waldo De Barros Monteiro Filho.
Segundo Medeiros, a Figo Technologies foi vítima de uma das mais graves fraudes empresariais recentes no setor de tecnologia, tendo sua operação, carteira de clientes e propriedade intelectual desviadas pelos sócios.
Entre 2023 e 2024, de forma coordenada, diz Medeiros, a dupla desviou contratos, funcionários, ativos tecnológicos e dados confidenciais, desmontando a Figo por dentro e transferindo toda a operação para suas novas empresas.
“Não foi apenas um desvio de contratos: eles montaram uma operação criminosa de desmonte interno. Cancelaram meu acesso a todas as ferramentas de gestão e comunicação da companhia, chegando a bloquear até meu e-mail corporativo. Quando questionei o que estava acontecendo, os dois deflagraram o golpe de maneira aberta, como se já estivessem preparados para me excluir da própria empresa que fundei”, acusa Medeiros.
De acordo com ele, a sabotagem começou antes, com contratações a custos inflados e gastos injustificáveis: “Fizeram contratações caríssimas, inflaram despesas com viagens, eventos e restaurantes. Tudo parte de uma estratégia calculada para fragilizar financeiramente a Figo e depois tomar o controle. Temos provas incontestáveis, inclusive uma ‘agenda de desmonte’ enviada de forma ameaçadora.”
O empresário afirma que não percebeu a trama em curso porque confiava nos sócios: “Era um golpe de confiança. Eles usaram a proximidade de sócios para agir pelas sombras. Em certo momento, chegaram a me propor que eu me aposentasse à força: ficar calado, sumir do mercado com apenas 10% das cotas e um salário simbólico. Quando recusei, implodiram a Figo.”
Para Medeiros, o caso é ainda mais grave porque os ex-sócios mascararam a fraude diante do mercado: “Eles comunicaram a transição aos clientes como se fosse uma simples reestruturação da Figo. Na prática, estavam promovendo um sequestro empresarial, enganando clientes, parceiros e funcionários. Trata-se de um estelionato corporativo em larga escala, com prejuízo de dezenas de milhões.”
O processo agora segue para a fase de citação e contestação dos réus, que terão 15 dias para se manifestar judicialmente.







