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Grandes negócios e tendências do mercado imobiliário. Renata Firpo é publicitária, consultora imobiliária e advogada pós-graduada em Direito imobiliário

As favelas mais valorizadas do que alguns bairros de classe média

Entenda o fenômeno

Por Renata Firpo
Atualizado em 11 mar 2025, 22h02 - Publicado em 11 mar 2025, 10h25

As favelas surgiram no Brasil no início do século XX, muito em função da migração do campo para as cidades grandes. A industrialização e mecanização das lavouras fizeram com que as pessoas buscassem oportunidades de trabalho nas metrópoles que, por sua vez, cresciam de forma acelerada e desorganizada, sem estarem preparados para receber a chegada dessa nova população. O resultado foi a ocupação dos migrantes em áreas naturais desvalorizadas do ponto de vista imobiliário, em instalações precárias, sem acesso a serviços urbanos e infraestrutura, criando polos de exclusão social e violência. Devido a vários fatores como a falta de planejamento urbano, desigualdade social e crises econômicas, as favelas foram crescendo e tomando espaços enormes nas cidades.

Esses bolsões cresceram e se transformaram ao longo do tempo. Ao poucos, esses destinos começaram a receber serviços e infraestruturas para atender seus moradores, que são uma fatia importante para as cidades, tanto em número quanto em potencial de consumo. A Rocinha, por exemplo, considerada a favela mais populosa do Brasil, tem mais de 72 mil moradores, conforme o Censo Demográfico de 2022. Hoje as favelas contam com escolas, academias, opções de lazer, comércio e diversos outros serviços que, muitas vezes, são feitos sob demanda para se encaixar à realidade do lugar. Um exemplo são postos de coleta de encomendas, desenvolvidos em função dos Correios não conseguirem entregar os produtos por falta de endereços registrados na Prefeitura.

Fenômeno mais recente, algumas favelas passaram a ter valores de moradia no topo da lista entre os bairros de grandes cidades, como Rio de Janeiro e Salvador. O Vidigal, na capital fluminense, tem valor médio de metro quadrado que pode chegar a mais de R$ 15 mil reais, segundo dados do DataZAP+ de 2022. Esse número coloca o Vidigal à frente de bairros consagrados como Urca ou Leme. Na ocasião da divulgação dessa informação, algumas pessoas apontaram que esse valor não era da área considerada como favela, mas da parte mais urbanizada do Vidigal. De qualquer maneira, ainda que não seja um preço do que se considerava área favelizada, esse valor alto de metro quadrado mostra que morar vizinho a comunidades não é, necessariamente, um fator de desvalorização.

Em Salvador, Bahia, o bairro de Pernambués, classificado como favela, tem o 5o metro quadrado mais caro da cidade, conforme o último Censo Demográfico do IBGE, perdendo apenas para bairros de alto padrão da cidade como Barra, Caminho das Árvores, Ondina e Rio Vermelho. A classificação do bairro como favela não agradou muito os moradores, que consideram que não cabe mais essa nomenclatura, visto que Pernambués é um endereço repleto de serviços e infraestrutura. Os moradores têm uma certa razão. Pernambués convive com uma parte da área desenvolvida e outra bem carente de investimento, então é comum que nem todos concordem em ver o lugar sendo chamado de favela, em vez de um bairro organizado. André Urpia, Superintendente do IBGE na Bahia, esclarece que o termo “favela”, que voltou a ser utilizado após 50 anos pela entidade, corresponde apenas a uma área dentro de Pernambués e não ao bairro como um todo. Porém, a localidade tem 52,5 mil habitantes sendo que 35,1 mil vivem na área considerada periférica, ou seja, mais de 65% dos moradores.

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