Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 7,99
Imagem Blog

Ricardo Rangel

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO

Ah, esse amor pela democracia

A defesa circunstancial de um princípio civilizatório

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 ago 2024, 06h00 • Atualizado em 16 ago 2024, 11h41
  • Celso Amorim, assessor para assuntos internacionais do Planalto, soprou a Lula a ideia de realizar novas eleições — com a mediação de órgãos internacionais e a participação de obser­vado­res externos — na Venezuela. Acha que isso pode ajudar a resolver a crise no país.

    É para rir.

    A eleição de há quase três semanas teve a mediação de órgãos internacionais e a participação de observadores externos — que, depois de fugirem do país, gritaram “fraude” em alto e bom som. Amorim quer fazer de novo a mesma coisa esperando resultado diferente?

    O Brasil, evidentemente, não deve romper relações com a Venezuela: somos um dos poucos países em condições de negociar uma saída pacífica para a crise e trata-se de um país vizinho do qual provém um enorme fluxo de refugiados. Mas o Brasil tampouco pode dar a impressão de que aceitará manter Maduro no poder na base do tapetão — e é exatamente isso o que está fazendo.

    O relacionamento de Lula com o chavismo tem mais de vinte anos, inclui remessa de dinheiro do petrolão, juras de amor eterno e relativização da democracia. O PT reconheceu a vitória de Maduro, Lula deu entrevista dizendo nada ver de anormal na Venezuela e deu de barato a vitória do fraudador. O Brasil exige o aparecimento dos boletins de urna — mas não estipula prazo e não pressiona, na prática dando a Maduro tempo para falsificá-los.

    Continua após a publicidade

    “O relacionamento de Lula com o chavismo tem mais de vinte anos e inclui remessa de dinheiro do petrolão”

    Ao aceitar a sugestão de Amorim, Lula estará dizendo à comunidade internacional: “Como o Maduro não teve competência para fraudar a eleição de forma convincente, que tal darmos a ele mais uma chance? Quem sabe dessa vez ele faz o serviço direito e consegue convencer vocês?”. Será mais uma etapa na trajetória de desmoralização que inclui a defesa da invasão da Ucrânia, a solidariedade com o Hamas e a já conhecida leniência com ditaduras latino-­americanas.

    O amor da esquerda brasileira pela democracia é intransigente quando existe o risco de Bolsonaro derrotar Lula e entorpecido quando o ditador é antiamericano. Na direita, esse mesmo amor é intransigente quando a ditadura é de esquerda, como na Venezuela, ou entorpecido quando o ditador é alguém como Jair Bolsonaro. Poder-se-­ia dizer que “democracia é bom quando é bom para nós” (e não é bom para ninguém diante do amor por Vladimir Putin, de direita e anti­americano).

    Continua após a publicidade

    O amor do brasileiro pela democracia não flutua somente nos polos, por sinal. Nesta semana morreu Antônio Delfim Netto, principal nome civil da ditadura, signatário do AI-5 (que queria mais duro e do qual nunca se arrependeu), responsável por uma política econômica que concentrou renda e arrasou o país, apelidado de “Monsieur Dix pour Cent” e citado em inúmeros escândalos de corrupção da época.

    Um marciano que leia os jornais sairá com a impressão de que Delfim, um homem “complexo” que cometeu alguns erros, foi um economista genial e um grande brasileiro, de espírito democrático. É isso que disseram inúmeros (supostos) democratas e economistas liberais. E vêm dizendo isso há décadas.

    No Brasil, o amor pela democracia é mesmo “complexo”.

    Publicado em VEJA de 16 de agosto de 2024, edição nº 2906

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.