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Ricardo Rangel

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O ENEM, o agro e a polarização

Professores de esquerda criaram para o ENEM uma questão sob medida para incendiar o agro e a direita. Como não poderia deixar de ser, incendiou.

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 nov 2023, 16h18 • Atualizado em 9 Maio 2024, 20h13
  • O agronegócio está em pé-de-guerra por causa de três questões do ENEM que teriam “cunho ideológico”. E exige que sejam anuladas.

    Duas das questões são pura interpretação de texto, sem juízo de valor. E o material a que se referem é perfeitamente razoável. Não cabe qualquer reclamação.

    A terceira questão (089) é diferente. Não só trata a opinião de um terceiro como fato, o que já seria inaceitável, como a “opinião” endossada é uma arenga anticapitalista e anti-agronegócio, 100% ideológica. É superficial, preconceituosa e equivocada.

    O agro, com a ajuda da estatal Embrapa, transformou o Cerrado, antes pobre e abandonado, em uma região moderna e arrojada, e fez do Brasil o maior produtor de soja do mundo e um dos maiores de milho e de carne, sendo responsável por quase um quarto do PIB.

    O crescimento acelerado do agro trouxe problemas e desafios que precisam ser discutidos, mas demonizar o que há de mais avançado e produtivo na economia brasileira não tem sentido. E há ainda o cruel dilema que a questão impõe ao aluno com opinião divergente: o que ele faz? Responde que a visão do autor está errada, prejudicando a si mesmo? Ou inventa uma resposta na qual não acredita, mas que a banca espera, violentando a si mesmo? É inacreditável que professores possam fazer isso com alunos.

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    O agro tem toda razão de reclamar. E o pedido de anulação não é estapafúrdio.

    Não é a primeira vez que se vê uma questão vergonhosamente ideológica no ENEM. Questões assim, além de ilegítimas, abrem margem para a acusação de que a academia é “doutrinária”, argumento recorrente da direita, e alimentam o inferno bipolar que vivemos. Como não poderia deixar de ser, a questão abriu as portas do inferno. E do besteirol.

    A educação está “absolutamente tomada por essa praga chamada marxismo cultural”, bradou um deputado. “A esquerda mais uma vez, estimula conflitos agrários dentro do Brasil”, gritou outra. “Tentam macular a imagem da agropecuária no Brasil estimulando e promovendo divisões dentro do setor”. E por aí vai.

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    A Frente Parlamentar do Agronegócio chegou a afirmar que vai convocar o ministro da Educação, Camilo Santana, para prestar esclarecimentos no Congresso, um procedimento autoritário, de intimidação, e sem sentido, já que o ministro não tem nem conhecimento nem ingerência na elaboração das questões.

    O foco saiu da discussão sobre como aprimorar o exame e defender os interesses dos estudantes para se tornar mais uma batalha sangrenta na interminável e insuportável polarização nossa de cada dia.

    Lamentável.

    (Por Ricardo Rangel, em 08/11/2023)

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