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Política com Ciência

Por Sérgio Praça Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A partir do que há de mais novo na Ciência Política, este blog do professor e pesquisador da FGV-RJ analisa as principais notícias da política brasileira. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Para a nova número 2 do MEC, ‘o maior matemático foi Deus’

Em seu novo posto, as palavras de Iolene Lima deixam de ser dogmáticas e passam a ser inconstitucionais

Por Sérgio Praça 14 mar 2019, 17h42 • Atualizado em 15 mar 2019, 17h42
  • O Ministério da Educação é um gigante. Cuida do ensino superior federal, repassa verbas da área para estados e municípios, propõe legislação sobre tudo que tem a ver com a área – inclusive o Escola sem Partido e homeschooling. O ministro Ricardo Vélez Rodríguez, ligado a Olavo de Carvalho, nomeou Iolene Lima, fundadora e ex-diretora de uma escola de educação cristã no interior de São Paulo, para ser a secretária-executiva do ministério.

    Iolene não poderá, neste cargo, defender o ensino religioso obrigatório. O artigo 19 da Constituição Federal de 1988 diz: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. Na educação pública, ensino religioso só é permitido se não for obrigatório e se uma entidade da sociedade civil ajudar a definir seu conteúdo.

    O colégio Inspire, criado por Iolene em 2014, é totalmente diferente disso. Ao menos em seu início, conforme seu depoimento em 2014, a escola só tinha professores e funcionários evangélicos (ver sua fala aos 23m20s). Ela não poderá seguir o mesmo critério na secretaria-executiva, na qual será responsável pela gestão de recursos humanos do ministério.

    Os alunos do colégio criado pela nova manda-chuva do MEC são expostos a uma educação “baseada em princípios, ou seja, baseada na palavra de Deus. É uma cosmovisão cristã”, conforme disse Iolene aos 35m da entrevista. “O aluno aprende que o autor da história é Deus. O realizador da geografia é Deus. Deus fez as planícies, fez os relevos, fez o clima. O maior matemático foi Deus. (…) Os alunos menores de primeiro ano, o primeiro contato que eles têm com a matemática é pelo livro de Gênesis. É todo o currículo escolar organizado sob a ótica das Escrituras. Elas não limitam o conhecimento, mas é a partir delas que o professor invade as áreas do conhecimento e apresenta o conhecimento formal para os alunos. (…) Somente em Cristo nós podemos educar bem”.

    Em seu novo posto, as palavras de Iolene deixam de ser dogmáticas e passam a ser inconstitucionais.

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