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O ‘reaça’ desbocado da Fox News que é o novo rei dos talk-shows americanos

Quem é o humorista que, no embalo do segundo governo Trump, pôs emissora no topo do ranking desses programas de sucesso no país

Por Marcelo Marthe Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 fev 2025, 15h52

A língua dele fere à distância — e é capaz de atingir até seus colegas de emissora. Mesmo para os padrões da Fox News, canal que é uma espécie de universo paralelo conservador na mídia americana com seus comentaristas duvidosos e trumpistas delirantes, Greg Gutfeld é radioatividade pura. Em seu talk-show, Gutfeld!, ele desfere piadas e opiniões sem um pingo de compostura ou correção política — ao contrário, faz questão de desancar as ideias liberais e emitir considerações que virariam escândalo instantâneo em qualquer outro lugar na TV americana. Pois bem: seu estilo explosivo casou à perfeição com a zeitgeist dos Estados Unidos nesse início do segundo governo Trump. Surfando a onda, o “reaça” desbocado chegou lá. Ele acaba de sair na capa da prestigiosa revista Variety por sua “revolução” no humor conservador — e se tornou a maior estrela dos tradicionais talk-shows do fim de noite do país, vencendo nos índices de audiência os pesos pesados que vinham dominando a seara há anos, Stephen Colbert e Jimmy Fallon.

Quem é Greg Gutfeld?

A comparação com os dois concorrentes fornece uma pista eloquente do que projetou Gutfeld. Enquanto Colbert, Fallon e outros apresentadores de talk-shows da TV americana rezam pela cartilha liberal, desviando cuidadosa — ou medrosamente — de tiradas que possam ferir susceptibilidades politicamente corretas, Gutfeld investe naquele humor ferino, caricatural e carregado de preconceitos que era considerado “normal” na televisão até alguns anos atrás, e hoje é nitroglicerina da brava. Em resumo: ele dispara sua metralhadora giratória como se não houvesse amanhã — e a audiência trumpista aplaude.

Um bom exemplo do valor dessa falta de amarras (e pudor) se deu durante o recente escândalo envolvendo o filme Emilia Pérez. Quando vieram à luz antigos posts infames de Karla Sofía Gascón, a estrela trans do filme indicado a treze Oscars e maior concorrente do brasileiro Ainda Estou Aqui, Colbert, Falllon e outros liberais perceberam o campo minado — e fizeram cara de paisagem diante do assunto. Gutfeld, não: ele deitou e rolou ao satirizar as agruras de Karla, não por ser contra ou a favor da atriz em si, mas para espezinhar a incoerência progressista em festejá-la como a primeira trans a concorrer ao Oscar, e agora ficar muda de tanto constrangimento com a descoberta de suas postagens racistas e islamofóbicas.

As origens de Greg Gutfeld

Mas esse caso foi fichinha em meio à lista farta de polêmicas do apresentador. Em 2009, quando o exército do Canadá anunciou um período sabático após participar da guerra no Afeganistão, ele detonou o país vizinho, basicamente acusando seus militares de não gostaram muito do batente — pegou tão mal que teve de se desculpar no ar. Gutfeld também já fez comentários impróprios sobre o Holocausto, provocando reação da comunidade judia. E perpetrou um ataque que acabou tendo efeito de fogo amigo contra a própria Fox News: no início da guerra da Ucrânia, insinuou que as emissoras americanas estavam dando uma dimensão muito mais dramática do que o conflito real teria. O que despertou a reação indignada de um correspondente da emissora em território ucraniano – que acabaria ferido na guerra.

Aos 60 anos, Gutfeld nasceu numa família católica na Califórnia. Foi coroinha numa paróquia local, mas durante o ensino médio se desencantou com a religião — e também diz ter descoberto que não queria ser nem liberal, nem conservador, pois os dois lados seriam “moralistas”. Agora, ele se diz agnóstico e “libertário” — o que nos Estados Unidos atual significa, na prática, estar mais à direita que a direita. Durma-se com um barulhento desses.

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