Ancestralidade e mulheres homenageadas no grupo de Acesso do Rio
Oito escolas desfilam no segundo dia da Série Ouro na Sapucaí
Abrindo o segundo dia da Série Ouro neste sábado, 14, a Botafogo Samba Clube desfila na Marquês de Sapucaí com o enredo O Brasil que floresce em arte, uma homenagem ao paisagista Roberto Burle Marx desenvolvida pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres. Em 2026, a agremiação elegeu Wenny Isa, 16 anos, como rainha de bateria – irmã da Lexa, a cantora ficou conhecida por desfilar na Sapucaí aos 11 anos como coroada da Unidos do Bangu.
A Em Cima da Hora entra com a nova rainha de bateria Maryanne Hipólito, 27 anos, com o enredo Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!, uma homenagem às pombagiras, figuras femininas da umbanda e candomblé desenvolvida pelo carnavalesco Rodrigo Almeida. “Foi uma proposta do próprio patrono, do Vinícius, e a gente gostou muito porque tem a possibilidade de falar da mulher, dessa figura tão vilipendiada. Mostrar que Pombagira não é má, ela só cometeu um crime, que foi nascer mulher”, diz Rodrigo.
Em seguida, a Arranco do Engenho de Dentro faz história com a chegada da carnavalesca Anikk Salmon, que desenvolveu o enredo A gargalhada é o Xamego da Vida, homenagem a Maria Eliza Alves dos Reis, uma mulher que dedicou a vida para ser palhaçada. Representando a ousadia de Maria Eliza, Giselle Farias retorna para mais um ano como rainha de bateria da escola. A Império Serrano também faz um tributo a uma forte figura feminina: Conceição Evaristo, uma voz potente da literatura negra. Quitéria Chagas, 45 anos, continua como coroada da agremiação, posto que ocupa há mais de dez anos.
A Estácio de Sá vai celebrar na Avenida a vida e trajetória de Tatá Tancredo, conhecido como “Papa Negro”, ele foi um pai-de-santo umbandista e liderança religiosa que uniu samba e umbanda. O enredo Tata Tancredo – o Papa Negro no Terreiro do Estácio foi desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo. Neste ano, a influenciadora fitness Vivi Wilker, 34 anos, estreia à frente da bateria da vermelho e branco. Ainda seguindo a temática negritude, a União de Maricá vai destacar os balangandãs, um adorno afro-brasileiro, como símbolos de resistência das mulheres negras. O tema foi pensado por Leandro Vieira, carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, do Grupo Especial. A rainha de bateria é Rayane Dumont, 27 anos, que está no posto desde 2020.
A Porto da Pedra traz um enredo único e inovador para a Sapucaí: nomeado de Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite, a escola vai exaltar as profissionais do sexo com acolhimento e respeito. Desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e o enredista Diego Araújo, o tema vai tratar do sagrado e profano destas mulheres marginalizadas pela sociedade. A rainha que representa a agremiação é Andrea Andrade, 39 anos – a influenciadora ficou conhecida como musa das “supercoxas”.
Encerrando a Série Ouro, a Unidos da Ponte pretende transformar a Marquês Sapucaí em um baile funk com Tamborzão – O Rio é Baile! O poder é black!, enredo que mergulha nas raízes da cultura das favelas cariocas. A ideia foi desenvolvida pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves e pelo enredista Cleiton Almeida. Quem desfila no posto de rainha de bateria é Thalita Zampirolli, 36 anos, marcando sua estreia no posto.





