Luis Ricardo expõe ciúmes no SBT e lamenta falta de programa-solo
Apresentador, que lançou livro de memórias ‘Muito além do Palhaço Mais Famoso do Mundo’, fala à coluna GENTE

Apresentador dos sorteios na emissora fundada por Silvio Santos, Luis Ricardo, 62 anos, acumula mais de quatro décadas de carreira – fazendo parte do SBT desde o seu surgimento, há 43 anos. A primeira aparição na televisão foi como artista de circo, em um programa do palhaço Bozo, quando ele tinha apenas 16 anos. Uma grande coincidência, já que, em 1983, Luis assumiu oficialmente o papel do palhaço por quase 10 anos. Algumas dessas memórias estão presentes no livro Luis Ricardo – Muito Além do Palhaço Mais Famoso do Mundo (ed. Citadel), escrito por William Sanches, 42, lançado recentemente. Em entrevista à coluna GENTE, Luis explica por que nega o título de “substituto de Silvio”.
VONTADE DE ESCREVER. “Essa vontade (de ter um livro) foi despertada pelas histórias que a gente acaba contando com os amigos. Aí lembrei da época de circo, quando morava no trailer, na barraca e comecei a me atentar da curiosidade das pessoas que me rodeavam e pediam para contar os casos”.
SUBSTITUTO DE SILVIO. “Não é substituto, não encaro como essa palavra. O Silvio é insubstituível, não adianta, vai demorar mil anos para ter um outro Silvio Santos, sempre falei isso, sou até redundante. Essa palavra substituto não existe. Mas na medida do possível, sempre tentei fazer o que ele fazia na televisão”.
CIÚME NO SBT. “O ciúme rola normalmente, mas explicitamente não. Sempre tive bom relacionamento com todos os apresentadores. Mesmo porque é aquilo, né? Estou lá há muito tempo, há 41 anos. Conheci pessoas que chegaram, pessoas que chegaram e foram embora… E foi super de boa, não tem esse climão. Cada um faz o seu. Nunca me senti ameaçado”.
PROGRAMA-SOLO. “Hoje, realmente, pensando no que aconteceu, sinto falta sim, sinto falta de um programa-solo, de um programa para mostrar o que aprendi ao longo desses 40 anos ao lado do Silvio”.
APOSENTADORIA. “Artista nunca se aposenta. Até pensei algumas vezes em parar, mas não faz parte dos meus planos, pelo menos por enquanto. Tenho muita arte para oferecer para a televisão”.
TV TRADICIONAL X PLATAFORMAS. “Não penso em abrir um canal em outro lugar. É a mesma coisa quando saiu o vinil e entrou o CD. Passei por essa fase. É tudo uma questão de adaptação. Sou fã da TV tradicional. A internet é um pouco sem noção com alguns públicos, é muito pesado para uma criança, por exemplo. Os públicos são diferentes. A molecada é o futuro da comunicação, com uma linguagem mais gostosa, atual, mas nós estamos lá na TV com linguagem cuidadosa, cautelosa de como vai chegar isso na tela da TV da sua mãe, da sua avó, do seu avô. Essa é a minha preocupação”.