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Por que todo mundo quer comprar a Warner: Netflix e Paramount na briga

Como negociação vai influenciar o mercado e os direitos de transmissão no esporte

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 dez 2025, 11h00 • Atualizado em 11 dez 2025, 11h10
  • O anúncio do interesse pela compra da Warner Bros. Discovery por parte da Netflix ou Paramount abalou a indústria televisiva. A informação era de que a Netflix já tinha sacramentado a aquisição, superando conglomerados de mídia como Paramount e Comcast, e fechado por US$ 82,7 bilhões, incluindo dívidas. A empresa, que é considerada o maior serviço de streaming pago do mundo, com mais de 300 milhões de assinantes, previa que toda a transação fosse concluída entre 12 e 18 meses. Posteriormente, no entanto, a Paramount apareceu colocando fogo no mercado e avaliando oferecer cifras maiores e estimadas em US$ 108,4 bilhões.

    A Warner Bros. é considerada um dos cinco principais estúdios de Hollywood, que incluem a Paramount Pictures, Sony Pictures, Universal Pictures e Walt Disney Studios. Esse movimento também afeta diretamente o mercado de transmissões esportivas no Brasil. Tudo porque a TNT Sports Brasil, por exemplo, vai passar a ser controlada pela Netflix. Isso vai fazer com que o canal passe a ser detentor de eventos esportivos no Brasil, como a Champions League, pelo menos até maio de 2027, e do Campeonato Paulista, até 2029.

    Seja Netflix, seja Paramount, essa aquisição pode, de fato, influenciar os direitos de transmissão no esporte e balançar a indústria em todo o mundo, especialmente no Brasil? “Uma coisa é o discurso, outra é a prática. Nenhuma empresa desse tamanho vai sair dizendo abertamente que mudou a estratégia antes de conquistar, de fato, um grande direito esportivo. A Netflix não vai anunciar que está interessada em esporte até o dia em que comprar, por exemplo, um primeiro grande pacote global e só então assumir publicamente: “sim, mudamos de rota”, diz Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.

    Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor JayZ, complementa: “O mercado relevante hoje é o de atenção das pessoas. Esta está dividida em conteúdos ‘frios’, como filmes e séries, e os que envolvem imprevisibilidade, consumidos somente ao vivo e, majoritariamente, de esportes. Em uma década ou menos, não existirão mais grupos de conteúdos, mas somente conglomerados de atenção. Todos os grupos especializados em qualquer uma das vertentes citadas vão deixar de existir isoladamente. A natureza humana de busca pelo conforto e praticidade, vai forçar a incorporação de marcas”.

    Luiz Guilherme, diretor de Clubes e Negócios da End to End, reforça que em se confirmando a compra da Warner por alguma dessas plataformas, podemos estar diante de um ponto de inflexão relevante para a indústria esportiva no que diz respeito às transmissões. A Netflix, por exemplo, vem ampliando, de forma consistente, porém bastante tímida, sua presença nas transmissões esportivas ao vivo. “Com essa aquisição e sendo uma empresa tradicionalmente orientada por dados, ela passa a ter a oportunidade de testar e validar, sem necessariamente aumentar de forma significativa o nível de investimento, a viabilidade de grandes eventos em sua plataforma por meio dos direitos já adquiridos pela Warner. Caso essa estratégia se mostre bem-sucedida, com aumento do tempo médio de tela e do número de assinantes, devemos ver a consolidação definitiva de um novo big player no mercado de direitos de transmissão esportiva”.

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