Fotos de praia não representam a realidade das altas temperaturas no Rio
Mudanças climáticas não podem ser romantizadas

A orla de Ipanema é linda num dia típico de verão: céu azul, sol brilhando forte, um mergulho no mar gelado para refrescar e uma água de coco no calçadão na hora de ir embora. Esse cenário de cartão-postal tem sido usado para retratar a onda de calor que chegou ao Rio, batendo recordes nesta semana. Mas a vida da maior parte dos cariocas não acontece nas orlas da zona sul. E usar essas imagens acaba romantizando os efeitos do aquecimento global sobre as pessoas “normais”, que vivem fora dessa bolha.
Com sensação térmica chegando perto dos 60°C, trabalhadores enfrentam horas de trânsito em ônibus e trens lotados, muitas vezes sem ar-condicionado. E boa parte não passa o dia sentada em escritórios frescos, mas sim nas ruas, em empregos informais, expondo o corpo ao sol escaldante. Na última segunda-feira, 17, estudantes de uma escola estadual na Zona Oeste foram para a rua protestar contra a falta de climatização nas salas de aula. Mais de 200 escolas no estado sofrem com o mesmo problema. Nem as mudanças climáticas, que afetam a todos, atingem todo mundo da mesma forma.