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Viver com Ousadia

Por Luana Marques Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A ansiedade pode se tornar sua maior força. A psicóloga Luana Marques, professora de Harvard, ensina como transformar o medo em ação e treinar a mente para vencer as incertezas pelo caminho.

Síndrome do impostor: o medo que se disfarça de prudência

Quando adiar decisões importantes parece bom senso, mas na verdade é medo pedindo passagem

Por Luana Marques
23 jan 2026, 16h00 •
  • Você recebe uma proposta que deveria trazer orgulho.

    Uma promoção. Um convite. Uma oportunidade que, em tese, confirma tudo o que você construiu.

    E, ainda assim, algo trava.

    A alegria dura pouco.

    Logo surgem pensamentos que não pediram permissão para entrar:

    “Talvez eu não esteja pronto(a).”
    “E se descobrirem que eu não sou tudo isso?”
    “Será que não é melhor esperar mais um pouco?”

    O corpo responde antes de qualquer decisão racional.

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    O peito aperta.

    O estômago contrai.

    A mente começa a procurar saídas.

    Algumas pessoas dizem que precisam pensar melhor.

    Outras adiam o e-mail.

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    Outras seguem trabalhando muito, mas sem se posicionar.

    Outras simplesmente não se movem.

    Por fora, tudo parece normal.

    Por dentro, algo já começou a encolher.

    No consultório, vejo esse roteiro se repetir com frequência impressionante.

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    Não em pessoas despreparadas, mas justamente em quem cresceu, atravessou barreiras e chegou longe — e agora está travado.

    O que aparece ali é a síndrome do impostor.

    Mas esse nome explica pouco do que realmente está acontecendo.

    O medo em si não é o problema.

    Ele é esperado quando algo importa.

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    O problema começa no passo seguinte.

    Quando o medo passa a ditar comportamento.

    Quando a pessoa começa a se proteger da própria possibilidade de crescer.

    É aí que entra um mecanismo psicológico central, e pouco nomeado: evitação psicológica.

    Evitação não é desistir.

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    É se manter ocupado demais para decidir.

    É se tornar “prudente” quando, na verdade, está com medo.

    É esperar sentir-se pronto para agir.

    Eu conheço esse movimento por dentro.

    Durante mais de um ano, evitei escrever para a VEJA.

    Não porque não tivesse o que dizer, mas porque dizer significava me expor em um território que carrega história, identidade e pertencimento.

    Os pensamentos vinham disfarçados de lógica:

    “Será que ainda faço sentido no Brasil?”

    “Será que meu trabalho será entendido?”

    “Será que vão me ver como alguém de fora?”

    E eu simplesmente não fui.

    Esse é o rosto mais comum da síndrome do impostor: adiar para não sentir desconforto.

    A ciência clínica é clara sobre isso.

    Evitar reduz ansiedade no curto prazo.

    Mas cobra um preço acumulado: perda de direção, sensação de vida suspensa, distanciamento de quem se é, perda de oportunidades.

    Foi só quando decidi me aproximar — escrever mesmo com medo — que algo mudou.

    Não porque o medo desapareceu.

    Mas porque ele deixou de decidir por mim.

    Isso é fundamental entender: abordar, em vez de evitar, não é um ato único.

    É uma escolha que precisa ser refeita. E refeita. E refeita.

    Se você também se reconhece nesse lugar — competente por fora, travado por dentro — saiba que isso não se resolve com frases motivacionais.

    Resolve-se com método.
    Com treino.
    Com compreensão clara de como o cérebro funciona quando algo importa.

    Por isso, no dia 28 de janeiro, às 19h, vou conduzir um webinar gratuito, em parceria com o Reservatório de Dopamina, para ensinar exatamente a ciência que aprendi e apliquei ao longo de mais de 20 anos em Harvard: como agir mesmo quando a síndrome do impostor trava o seu cérebro — e, assim, aprender a Viver com Ousadia.

    Se isso conversa com você, venha aprender comigo.

    Venha fazer amizade com o seu impostor, sem deixá-lo dirigir.

    Você encontra o link na bio do meu Instagram @luanamaques.phd.

    E o primeiro passo é, simplesmente, aparecer.

    Nos vemos lá.

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