10 fatos que movimentaram a moda (e a deixaram bem mais interessante) em 2024
Dança das cadeiras nas marcas, retorno de desfiles e top models e homenagens a ícones fashions como Madonna e Lady Di marcaram o ano

O ano de 2024 foi bem movimentado na moda. Além da intensa dança das cadeiras entre marcas poderosas como Lanvin, Givenchy, Alexander McQueen, Celine, Chanel e Bottega & Veneta (para citar algumas), vimos algumas estreias importantes como de Alessandro Michele na Valentino, retornos triunfais como o desfile da Victoria´s Secret às passarelas, cumprindo o prometido com um olhar totalmente voltado à diversidade e de super top models aos desfiles, entre elas, Adriana Lima, Kate Moss e Bella Hadid. No quesito homenagens, vale destacar o belo tributo da Dolce & Gabbana à Madonna, rainha do pop e da moda.
Falando na cantora (sempre ela), este ano marcou os 40 anos do vestido de noiva que apresentou Madonna ao mundo no Video Music Awards, da MTV, sem contar os 30 anos do famoso vestido da vingança de Lady Diana – episódios fashion que entraram para a história da moda.
Em tendências, 2024 viu a importante ascensão do vintage, mostrando ao planeta não só a relevância dessas peças icônicas, mas evidenciando a lição de que os looks não só podem, mas devem ser usados mais de uma vez, e por várias pessoas (as estrelas que o digam). O ano também aplaudiu a elevação da moda gótica, símbolo de manifesto e rebeldia, e que veio para ficar.
Por fim, em um ano permeado pelo esporte, com as Olimpíadas em Paris, tivemos mais um capítulo da rivalidade histórica entre a Adidas e Nike, dessa vez, com a marca alemã saindo na frente com o sucesso de seu clássico Samba. A Nike, porém, já corre atrás e dá sinais de recuperação.
Agora é esperar 2025, que promete ser ainda mais movimentado. Confira os 10 fatos que sacudiram a moda neste ano:
Dança das cadeiras ou “guerra de tronos”
Após 5 nos à frente da Chanel, no lugar de Karl Lagerfeld, que morreu em 2019, Virginie Viard saiu da marca. Sua cadeira vaga, então, passou a ser a mais cobiçada da moda. Enquanto a maison francesa não anunciava um novo criador, muitas águas rolaram embaixo das pontes fashion: Pierpaolo Piccioli anunciou sua saída da Valentino, assim como John Galliano, da Maison Margiela; Hedi Slimane deixou a Cèline, Glenn Martens largou a Y/Projects; Dries Van Noten comunicou aposentadoria, Chemena Kamali estreou na Chloè. O último anúncio, bem no final de 2024 se deu por Matthieu Blazy, que deixou a Bottega Veneta para assumir o trono da Chanel – ele estreia com seu primeiro desfile, em outubro de 2025, já no Grand Palais, onde a grife voltou a apresentar as suas coleções em setembro, após anos de reforma. O ano que vem, aliás, promete em dèbuts: Peter Copping na Lanvin; Sarah Burton na Givenchy; Michael Rider na Celine; Haider Ackermann na Tom Ford e Louise Trotter na Bottega Veneta.

As (duas) estreias de Alessandro Michele na Valentino
A aguardada estreia de Alessandro Michele como diretor criativo da Valentino era para ser só em setembro, em Paris. Mas na madrugada de 17 de junho, os fashionistas acordaram com uma grata surpresa: uma coleção de resort 2025, feita pelo estilista, divulgada pela grife italiana durante a madrugada. “Era contra a natureza manter essa coleção em segredo”, disse ele ao jornal americano WWD. Não à toa chamada de “Avant les debuts” (“antes dos começos”, em português), Michele revelou 171 looks, femininos e masculinos, em mais de 260 imagens com uma coleção em homenagem ao fundador da marca, Valentino Garavani. A “segunda” estreia aconteceu em setembro, na Semana de Moda de Paris, em uma sala com espelhos rachados como piso e móveis cobertos por lençóis, com uma coleção repletos de vintage, maximalismo e glamour, coroada depois com uma campanha inspirada no filme “Roma” (1972), de Federico Fellini (1920-1993).

A ascensão do vintage
2024 jogou luz à um dos mais famosos pensamentos de Coco Chanel (1883-1971). “Sou contra a moda que não dure. Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora só porque é primavera”. Criações do século passado, da própria Chanel ou de outras grandes maisons, e interpretações de roupas icônicas e populares em outros tempos se encaixam em uma das tendências mais quentes de 2024: o vintage, que não só dá valor aos modelos do passado, como exalta o fazer artesanal da alta-costura. Uma tendência mais do que confirmada pelos tapetes vermelho das grandes festas do entretenimento, com estrelas cada vez mais vestindo antigos desenhos, com pompa e circunstância. A adesão é tanta, que não se pode mais falar em apenas uma tendência, mas sim um fato irrefutável: o passado definitivamente está na moda.

Os 30 anos do “vestido da vingança” de Lady Di
Em 2024, um dos mais famosos vestidos do nosso tempo completou 40 anos. Não só ele, mas o episódio de vingança promovido pela Princesa Diana (1961-1997), um dos maiores ícones fashion de que se tem notícia. Ao saber que o príncipe Charles, de quem já estava separada, daria uma entrevista na televisão admitindo a traição com Camilla Parker-Bowles, ela resolveu subir a temperatura. Em sua primeira aparição depois do rompimento, em uma festa promovida pela revista Vanity Fair, na Serpentine Gallery, em Londres, trocou de última hora um discreto modelo de gala Valentino por um ousado vestido de chiffon preto, com as pernas à mostra e um enorme decote de ombro a ombro, da designer grega Christina Stambolian. Trinta anos depois daquela noite de verão, 29 de junho de 1994, o espanto ainda ecoa. Diana estampou todas as primeiras páginas dos jornais ao redor do mundo, declarando independência da realeza e do próprio futuro rei, relegado a segundo plano. Leiloado na Christie’s em 1997 por 52 000 euros, em prol de instituições de caridade de combate e prevenção ao câncer e à aids, ainda continua inspirando estrelas como Jennifer Lopez, que em sua primeira aparição após o divórcio de Ben Affleck, também apostou em um matador “vestido da vingança”

Os 40 anos do vestido de noiva de Madonna
Em 14 de setembro de 1984, estreia do MTV Video Music Awards, nos Estados Unidos, que Madonna foi apresentada ao mundo, vestida de noiva, cheia de crucifixos e com um cinto em que se lia boy toy (brinquedo de menino), saindo de um enorme bolo de casamento. “Quando desci as escadas muito íngremes, meu sapato de salto agulha caiu”, disse em entrevistas posteriores. Segundo ela, foi por isso que se jogou no chão, em uma tentativa de recuperar o sapato. “Fingi que estava programado, fazendo parecer uma coreografia.” Para alimentar o escândalo, o vestido levantou e deixou a calcinha da cantora à mostra. 40 anos depois, o vestido continua em alta na moda, rendendo homenagens à cantora e ao icônico look, desde em referências de streetstyle até festas de Halloween, passando, é claro, pelas passarelas.

A homenagem da Dolce & Gabbana à Rainha do Pop
Não só o vestido de noiva de Madonna fez 40 anos em 2024. A própria cantora celebrou a data de carreira com uma enorme turnê mundial “The Celebration”, que só no encerramento, no Brasil, reuniu mais de 1,6 milhão de pessoas. Durante esses anos todos, a cantora não só se firmou como uma das maiores estrelas pop do nosso tempo, como fincou os dois pés na moda como um ícone fashion incontestável. Assim, neste ano, é claro que teve um desfile de uma marca poderosa para homenageá-la: a Dolce & Gabbana, marca que ela também ajudou a jogar luz para o sucesso (como tantas outras), fez toda sua coleção de verão 2025, apresentada sob o título “Italian Beauty” (a popstar sempre fez questão de dizer que é ítalo-americana), com referências aos looks da cantora – dos espartilhos até as perucas loiras e cacheadas, imitando seu cabelo nos anos 1990, durante a polêmica turnê Blond Ambition.

O retorno da moda gótica
A própria Madonna como uma noiva gótica no desfile da Dolce & Gabbana, Jenna Ortega e todos seus visuais a la Wandinha Addams, sucesso da Netflix, os elaborados looks da própria Jenna e de Monica Belucci no recém-lançado “Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice”, do diretor Tim Burton e desfiles como Rodarte, Valentino e Mugler – todos contribuíram para o renascimento da moda gótica, que em 2024, definitivamente saiu das sombras. Há, sem dúvida, em onda atrelada a um fenômeno dos anos 1980, a vontade de dizer alguma coisa, como manifesto. O uso de saias, calças, vestidos e terninhos de couro, com rendas e transparências, além da maquiagem pesada, grita alto: é como um estandarte a revelar preocupação com as guerras e com o descuido ambiental. Se as coisas andam escuras, mais para tempestade do que para bonança, os armários traduzem a esquisita sensação que deve perdurar por um bom tempo.

Mais um capítulo da rivalidade entre Adidas e Nike
Em 2024, a histórica rivalidade entre Adidas e Nike se acirrou graças ao sucesso das novas versões de modelos clássicos da marca alemã como o Samba, que ganhou os pés das celebridades e uma mudança radical de estratégia de vendas da americana, que no intuito de fortalecer o comércio eletrônico, abriu mão de canais intermediários — varejistas, atacadistas e lojas físicas — para adotar apenas um modelo de negócio centrado no consumidor final. Com o fracasso, obrigou a Nike a trocar o ex-CEO John Donahoe pelo antigo presidente Elliott Hill, tirando-o da aposentadoria, e partir para uma nova reorganização interna e de portfolio para reverter o jogo.

A volta triunfal da Victoria´s Secret
Após seis anos, a Victoria´s Secret fez um retorno triunfal em um mega desfile em outubro. Além das poderosas Angels e top models da marca, ainda cumpriu seu papel de olhar para a diversidade e trouxe modelos de todos os tipos e corpos: da plus size Ashley Graham às trans Valentina Sampaio e Alex Consani, passando pelas 50+ Kate Moss, Carla Bruni, Eva Herzigova e Tyra Banks, primeira negra a ser contratada pela grife de lingeries, e que fechou o desfile. O apoteótico show de Cher coroou a volta.

Super tops Adriana Lima e Bella Hadid voltam às passarelas
O desfile da Victoria´s Secret também marcou a volta de supermodelos às passarelas tais como a brasileira Adriana Lima, que ainda fez bonito no desfile da Schiaparelli, em Paris. Bella Hadid foi outra supermodelo que deu o ar da graça nas passarelas em 2024, ovacionada no desfile de verão 2025 da Saint Laurent, além da VS.
