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Carta ao Leitor: Revolução doméstica

Casamento ainda persiste, mas pode ser traduzido como um espelho da sociedade, de mãos dadas com os avanços e recuos comportamentais

Por 21 nov 2025, 06h00 • Atualizado em 21 nov 2025, 12h28
  • O casamento é a instituição mais antiga da história da civilização e também a que mais se transformou nas últimas décadas — houve, no processo de mudança, quem previsse o fim da união a dois, como se o clássico modelo familiar caminhasse para o precipício. Não foi o que aconteceu. A relação conjugal ainda persiste, mas pode ser traduzida como um espelho da sociedade, de mãos dadas com os avanços e recuos comportamentais. O movimento de liberação das mulheres (necessário e sem volta, no avesso da misoginia e do preconceito), com acesso ampliado ao mercado de trabalho, e a expansão do direito à diversidade de escolhas, e pouco importa a orientação sexual, deram origem a arranjos que até outro dia soavam improváveis. Os dados do Censo de 2022, na comparação com a pesquisa de 2000, oferecem âncora estatística à impressão cotidiana: os casamentos formais (civil e religioso) caíram de 49,4% para 37,9% entre os casais, enquanto as uniões consensuais, que compunham 28,6% dos relacionamentos, subiram para 38,9%, tornando-se o tipo de acordo mais frequente. Além disso, os casais com filhos, que no início do século representavam 56,4% dos entrevistados, agora constituem apenas 42% da totalidade. Outro marco dessa transformação é a chefia financeira feminina, que saltou de 22,2% para os atuais 48,8%, um empate técnico com os homens.

    + Casamento de pernas para o ar: uniões sem papel já são a maioria nos lares brasileiros

    É trajetória saudável que precisa ser celebrada e esmiuçada. Ao longo de sua história, VEJA teve interesse especial em acompanhar o que ocorre dentro de casa, entre quatro paredes, na célula mínima que ajuda a mostrar os humores de cada tempo, em sinfonia por vezes desafinada, sim, mas inescapável. Em sucessivas reportagens de capa, a revista iluminou a aprovação do divórcio no Brasil, em meados dos anos 1970; o crescimento do número de filhos de relações desfeitas; a aceitação das celebrações homossexuais; a queda do número de rebentos; e, mais recentemente, a expansão de alianças que não pressupõem altar religioso nem mesmo o papel passado em cartório. Reportagem da edição é um profundo mergulho em tema fundamental, atravessado por uma revolução doméstica. Ela foi apurada e escrita pelas repórteres Paula Freitas e Duda Monteiro de Barros, da sucursal do Rio de Janeiro e que assina no site de VEJA o blog Janela Indiscreta, destinado a acompanhar a orquestração de modos e maneiras de nossas vidas. Pouco importa a combinação. O casamento tropeça aqui e ali, é verdade, mas sobrevive ao ritmo de uma das mais bonitas frases da poesia brasileira, extraída do Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes (1913-1980): “Eu possa me dizer do amor (que tive): / que não seja imortal, posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure”.

    Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2025, edição nº 2971

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