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Cinco sufocos que as pessoas passavam no tempo dos orelhões

Cena com Wagner Moura em O Agente Secreto reacende a memória de um objeto urbano que já foi essencial para a comunicação nas ruas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jan 2026, 12h00 •
  • Durante décadas, os orelhões foram o principal elo de comunicação de quem estava na rua. A imagem voltou recentemente ao imaginário popular no pôster do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, em que o personagem vivido por Wagner Moura aparece falando em um orelhão vermelho.

    Mas usar esse serviço público exigia paciência, sorte e uma certa habilidade de sobrevivência social. Era preciso localizar um orelhão funcionando, ter fichas no bolso e, muitas vezes, disputar espaço com desconhecidos que aguardavam sua vez. A ligação raramente era tranquila e quase sempre vinha acompanhada de pressa, improviso e constrangimento.

    E alguns desses perrengues eram praticamente universais.

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    1) A falta de ficha na hora que você mais precisava

    A ficha telefônica era o passaporte para a ligação  e ela nunca estava disponível quando a urgência aparecia. Você só percebia que estava sem ficha já diante do orelhão. Começava então a peregrinação por padarias, bares, bancas de jornal e farmácias na esperança de encontrar alguém que vendesse. Nem sempre vendiam. Nem sempre tinham troco. E não era raro ouvir um desanimador “acabou”.

    2) O tempo da ligação era cruelmente curto

    A ficha não permitia conversa, permitia recado. O tempo corria rápido demais. A comunicação precisava ser objetiva, quase militar: “cheguei”, “estou saindo”, “me busca aqui”, “deu errado”. Qualquer frase fora do roteiro podia significar a ligação cair no meio. Quem falava ao orelhão aprendia a sintetizar a vida em poucos segundos.

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    3) Orelhão quebrado, sem fio, sem linha, vandalizado

    Depois de andar quadras até encontrar um, vinha a frustração: telefone sem tom, sem fio, destruído ou simplesmente morto. O vandalismo e a falta de manutenção eram parte da rotina muito antes de os orelhões começarem a desaparecer.

    4) A fila invisível e o constrangimento público

    Sempre havia alguém esperando atrás. Às vezes mais de um. Não existia privacidade. Todo mundo ouvia sua conversa, assim como você ouvia a de quem estava antes. Ligações íntimas, discussões familiares, pedidos de socorro ou combinados amorosos aconteciam com plateia involuntária. Falar ao telefone era, de certo modo, um ato público.

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    5) Dependência total de um ponto fixo na cidade

    Diferente do celular, o orelhão exigia deslocamento físico. Se você estivesse longe de um, simplesmente ficava incomunicável. As pessoas criavam mapas mentais da cidade: onde havia um orelhão confiável, qual funcionava, qual vivia quebrado. Estar “sem comunicação” era uma condição real e frequente.

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