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Como o trabalho de Lina Bo Bardi influenciou um dos maiores arquitetos da Holanda

O livro "Lina por Aldo" mostra que apesar de nunca terem trabalhado juntos, o talento de Bo Bardi serviu de inspiração para Aldo van Eyck

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 mar 2025, 10h06

A grande arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), conhecida por grandes projetos no Brasil, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Sesc Pompeia, encontrou o também grande arquiteto holandês Aldo Van Eyck (1918-1999) uma única vez, em São Paulo, em 1969. Os dois almoçaram juntos na Casa de Vidro de Bo Bardi e passaram apenas algumas horas em companhia um do outro. Mas Eyck teria sido inspirado não apenas pelo trabalho de Bo Bardi, mas por sua maneira de pensar a arquitetura.

Essa é a tese defendida no livro “Lina por Aldo” (Cobogó, 400 págs., R$ 112), organizado por Isabel Diegues, diretora editorial da Cobogó, e Jorn Konijn, diretor do museu Van Eesteren, em Amsterdã, dedicado a urbanismo e arquitetura, em Amsterdã, e com dez textos de pensadores e especialistas.

A relação entre o trabalho dos dois profissionais não é tanto no visual de suas criações, mas na proposta de uma arquitetura inclusiva, voltada para a criação de espaços em que os habitantes da cidade pudessem se encontrar e interagir. “Com trajetórias tão diversas, Lina e Aldo eram ambos pensadores da arquitetura e das sociedades em que viviam”, escrevem os organizadores na apresentação do livro. 

Lina Bo Bardi na escada do belve Belvedere do MASP, 1973 Diário de São Paulo Instituto Lina Bo Bardi
Lina Bo Bardi na escada do Masp (Instituto Lina Bo Bardi/Divulgação)

Uma das marcas da atuação dos dois é a relação com o lúdico e com o ato de brincar. Aldo ficou conhecido por desenhar mais de setecentos playgrounds em Amsterdã, em que pensava formas diferentes de interagir com o espaço, inserindo elementos abstratos, em vez de brinquedos convencionais. Já Lina organizou diversas exposições para crianças. 

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Ambos também pensavam nos espaços de circulação das pessoas entre as áreas construídas. A arquitetura não devia se impor, mas servir à população. Por isso suas criações tinham uma escala mais humana, e não eram monumentos colossais.

Van Eyck se reencontrou com a obra de Lina Bo Bardi em meados dos anos 1990, quando a arquiteta já havia morrido. Viu uma exposição da obra dela em Londres. Ficou obcecado e passou os últimos anos de sua vida promovendo o trabalho de Bo Bardi pelo mundo. Chegou a participar da gravação de um documentário da TV holandesa em 1996. Viajou ao Brasil e ficou encantado ao ver de perto os projetos de Bo Bardi. O texto que abre o livro, escrito por Van Eyck, mostra seu deslumbramento.

O arquiteto holandês Aldo Van Eyck
O arquiteto holandês Aldo Van Eyck (JJ Van der Meyder/Divulgação)
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“Quer nos aproximemos dele por baixo ou pela Paulista – ao vê-lo de longe, como um núcleo situado sobre o túnel, naquele espaço enorme, ou ao vê-lo enquanto passamos por perto, abrindo-se para o mesmo espaço desde o alto, o Masp não é apenas mais um belo edifício, mas sim um fenômeno. Nesse gradiente extremo e com tanta veemência metropolitana circulando a seu redor, a seu lado ou embaixo dele, o que Lina Bo Bardi construiu ali é quase inacreditável, até que o vejamos com os próprios olhos. O que parece impossível adquire realmente uma forma tangível, concreta. Um feito espantoso, pois o edifício de fato está e nã está ali, devolvendo à cidade tanto espaço quanto retirou dela. Uma vista impossível, se é que existiu alguma, ainda mais porque foi destinada a permanecer aberta e não para que se construísse nela. O gesto é de tirar o fôlego, e majestoso também, pois ela não só manteve a cidade aberta nesse ponto espetacular, como também construiu um espaço enorme para o povo. Para o seu povo, pois assim é que ela o via”, escreve o holandês.

Sesc Pompeia – credito Aldo van Eyck
O Sesc Pompeia fotografado pelo arquiteto em sua visita ao Brasil, em 1996 (Aldo Van Eyck/Divulgação)

“Lina por Aldo” é ilustrado por fotografias que Van Eyck tirou durante sua visita ao Brasil e que nunca haviam sido publicadas antes.

lina por aldo
Capa de “Lina por Aldo” (Editora Cobogó/Divulgação)
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