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Indignação com a violência contra Orelha leva Paolla Oliveira desabafar nas redes

Aumenta pressão por justiça pela atrocidade cometida com cão conhecido da comunidade de Florianópolis

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jan 2026, 07h26 | Atualizado em 29 jan 2026, 07h47
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Depois de trucidar a pauladas o cão Orelha — cuidado por moradores de um condomínio de luxo em Florianópolis, Santa Catarina — um dos rapazes envolvidos na agressão está na Disney, de férias. O animal, que precisou ser submetido à eutanásia para interromper o sofrimento causado pela violência, tornou-se símbolo de uma mobilização popular que cresce em ritmo acelerado. O movimento #JustiçaPorOrelha ganhou as ruas em forma de passeatas e despertou depoimentos emocionados e indignados de figuras públicas, entre elas a atriz Paolla Oliveira. “Normatizar o inaceitável não pode ser opção”, afirmou em vídeo publicado na noite de quarta-feira, 28.

O brasileiro não suporta mais a normalização de atitudes bárbaras usadas como justificativa para a impunidade. No país, maus-tratos a animais são crime desde 1998, quando passaram a ser tipificados pela Lei de Crimes Ambientais. Ainda assim, agressões continuam a ocorrer com frequência alarmante, revelando o que há de mais cruel no comportamento humano — o prazer em infligir dor a um ser indefeso, afetuoso e socialmente reconhecido por sua capacidade de oferecer vínculo e afeto. É exatamente esse ponto que Paolla levanta em seu depoimento: “Se adolescentes têm coragem de cometer uma atrocidade dessas, que adultos vão se tornar? Bandidos eles já são”.

Em uma sociedade marcada pela violência, que inicia o ano com a consolidação das estatísticas de 2025 — o período com o maior número de feminicídios da última década — e também abalada por casos de parricídio, como a morte do ex-deputado Paulo Frateschi, o caso Orelha lança luz sobre o tipo de adultos que está sendo formado sob a complacência da impunidade.

O posicionamento firme sobre o caso Orelha: “Normatizar o inaceitável não pode ser opção”, diz Paolla, que não precisa se associar a temas de alto engajamento para manter relevância pública. A atriz faz um desabafo que ecoa o sentimento de milhares de brasileiros exaustos da ausência de punições cabíveis. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam a existência de 4.919 processos relacionados a maus-tratos a animais — números que traduzem, em última instância, uma parte da sociedade que cobra mudança de comportamento. Quem convive com um animal sabe: a morte de Orelha é sentida como a perda violenta de um membro da família. Como um adolescente comete um ato dessa gravidade e é recompensado com férias na Disney? Mais do que impunidade, trata-se de uma inversão completa de valores. Todo ser humano deve ser responsabilizado por seus atos.

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