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Romero Britto: “Tem muita inveja por aí”

O artista plástico de 62 anos, que vive há três décadas em Miami, diz que escolhe o tema de suas telas “sem preconceitos” e não se abala com as críticas

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 dez 2025, 08h00 •
  • O que sentiu ao ver suas telas com o boneco Labubu virarem alvo de deboche nas redes? Tenho uma filosofia que é não focar em quem não gosta da minha arte. Quando você está em evidência, não dá outra: sempre vai ter gente criticando. O que me deixaria abalado seria receber disparos de quem realmente valorizo. Agora, se meu público está feliz, não me importo com o resto.

    Por que elegeu justamente o Labubu? Achei um fenômeno engraçado. Como artista, olho para o que as pessoas estão gostando. E, para os mais jovens, é uma febre.

    Em meio a tantos estímulos, os jovens estão desconectados da arte? Nunca senti isso porque faço uma arte abrangente, alegre, colorida, sem medo do que os outros vão pensar, e eles gostam dela. De modo geral, vejo muito pai levando o filho em museus, galerias, o que deve ser cada vez mais incentivado nesses tempos.

    E seu novo livro para colorir, também está na mira de seus detratores? Não vi preconceito, não, mas sei que tem gente que não aprova. Faço produtos para aqueles que podem visitar uma galeria, pagar caro por um quadro, e também para o grande público, que precisa ter acesso à arte. Quem me critica está é com inveja.

    Seu trabalho é um dos mais imitados pela inteligência artificial (IA). Isso o assusta? De jeito nenhum. Fico lisonjeado e feliz que as pessoas apreciem minha arte a ponto de imitá-la. Nunca imaginaria que meu trabalho se disseminasse tanto.

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    Já usou IA? Acho interessante, mas não. Prefiro minha própria criatividade.

    Após tantas décadas, não pensa em trocar Miami pelo Brasil? Os Estados Unidos são uma terra de oportunidades, onde o povo adora minha arte. No Brasil, me criticam mais, mas amo o país e volto sempre que dá. Sou pernambucano e tenho saudades da comida nordestina. Quem sabe mais velho não me mudo.

    O senhor já retratou políticos de diversos matizes ideológicos. Pintaria o presidente Donald Trump? Claro que aceitaria um convite de Trump para pintá-lo. Meu negócio é arte, e não política. Aproveito as chances que aparecem, como quando fiz um quadro de Barack Obama. Sou amigo de todo mundo, um diplomata.

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    Muita gente diz que o senhor se repete no estilo. Não planeja uma virada? Já experimentei outras estéticas — preto e branco, aquarela, desenho em jornais, pintura a dedo. Mas as pessoas conhecem mais o meu estilo clássico mesmo. Basta botarem os olhos que já me reconhecem. Sem modéstia: é icônico.

    Publicado em VEJA de 5 de dezembro de 2025, edição nº 2973

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