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Shi Heng Yi: ‘Só a introspecção preenche o vazio’

O monge budista nascido na Alemanha comanda um dos principais templos da Europa e defende aliança entre meditação e artes marciais

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jan 2026, 08h00 •
  • No livro recém-lançado Espírito Shaolin (Editora Intrínseca), o senhor propõe medidas oriundas de uma tradição ancestral para lidar com as crises individuais atuais. Como esses ensinamentos podem fazer a diferença hoje? O sofrimento humano, independentemente de derivar de conflitos, de carências ou de desejos não realizados, tem sempre uma causa. E a grande maioria das abordagens para lidar com ele visa à melhora de circunstâncias objetivas. A tradição Shaolin, em contrapartida, não enfatiza o desenvolvimento dessas questões externas, mas o aprimoramento do próprio indivíduo.

    Por que isso é tão relevante? É assim que chegamos ao autodomínio. Ele concentra a atenção no cultivo de si mesmo, de nossas crenças, padrões, perspectivas e pensamentos. Compreender claramente nosso próprio lugar nesta vida terrena é o que dará origem às soluções e aos insights que serão adequados à nossa vida.

    Qual é o maior desafio hoje para incorporar os preceitos da filosofia Shaolin? Existe um equívoco generalizado de que a aquisição de conhecimento, informação, fama, dinheiro e validação externa equivale a ter uma vida plena. Mas todo o trabalho não deve ser feito para o mundo. Deve ser feito, antes de tudo, para si mesmo.

    Cuidar da mente ou do corpo: o que é mais difícil em nossos dias? A tradição Shaolin preconiza uma série de exercícios físicos, mas é inegável que a mente precisa ser cultivada e treinada de forma apropriada. Um único pensamento pode arruinar o dia — não importa se ele é verdadeiro ou não.

    A sociedade contemporânea também vem falhando, sob o seu ponto de vista? A questão central continua sendo a ignorância da sociedade atual. Ela confunde o falso com o verdadeiro, o verdadeiro com o falso, a verdade com a mentira e a mentira com a verdade. A menos que surja o desejo de pôr fim a isso, o ciclo de danos repetitivos continuará. Não apenas para nós mesmos, mas também para aqueles que estão ao nosso redor.

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    Se pudesse deixar um conselho fiel ao espírito Shaolin, qual seria? Pergunte sempre a si mesmo se você está verdadeiramente satisfeito com a sua vida e se as soluções que o mundo propaga têm realmente funcionado no seu caso. Não existe nada neste mundo que possa preencher e satisfazer o vazio interior. Isso só pode ser feito por meio da introspecção.

    Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977

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